A mostra do pernambucano tem o patrocínio da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), com o apoio das empresas ClearChanel, Governo do Paraná e Ministério da Cultura. A exposição Francisco Brennand – Esculturas/ O Homem e A Natureza pretende mostrar um panorama da produção do artista, de 77 anos.
Algumas das 396 peças apresentadas possuem três metros de altura e pesam toneladas. São esculturas, desenhos e estudos de óleos sobre telas. Elas marcam um percurso de mais de 30 anos de criação artística, desde os anos 70 até os dias atuais. Entre as obras há 60 peças inéditas, com as quais o artista pretende representar as “culturas assassinadas”.
As peças da série, ainda em execução, posteriormente irão compor o cenário do Templo do Sacrifício, em Recife (PE). O Templo é um dos ambientes que está sendo construído pelo artista nas antigas instalações da Cerâmica São João da Várzea (localizada na várzea do Rio Capibaribe), onde Brennand mantêm o seu ateliê.
Em 11 de junho nasce Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand, segundo filho de Ricardo de Almeida Brennand e Olímpia Padilha Nunes Coimbra, na casa-grande do Engenho São João, nos arredores do Recife, onde vive até os dez anos.
1937
Viaja ao lado da mãe e de cinco irmãos para o Rio de Janeiro, onde passa a estudar no Colégio Aldridge, na praia de Botafogo.
1939
De volta ao Recife, é matriculado como semi-interno no Colégio Marista, onde terminará o ginásio em 1942.
1942
O escultor pernambucano Abelardo da Hora é convidado a trabalhar na Cerâmica São João, de propriedade da família Brennand, para dirigir o setor de criação. Interessado por tudo o que envolve desenho e modelagem, Francisco começa a acompanhá-lo e em pouco tempo é transformado, informalmente, em seu aluno.
1943
Inicia o segundo ciclo de estudos no Colégio Oswaldo Cruz, no Recife, onde conhece o amigo Ariano Suassuna, com quem irá colaborar, fazendo ilustrações para o jornal da escola. No mesmo ano, conhece Deborah de Moura Vasconcelos, com quem se casa em 1948.
1945
Conhece o pintor Álvaro Amorim, um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pernambuco, que começa a orientá-lo na área de pintura. Brennand passa a acompanhar os pintores Álvaro Amorim, Baltazar da Câmara e Mário Nunes, entre outros, que freqüentam as terras do engenho para pintar paisagens.
1946
Constrói seu primeiro ateliê a partir de uma casa abandonada do engenho e começa estudar pintura com Murilo La Greca.
1947
Envia cinco quadros para o Salão de Arte do Museu do Estado de Pernambuco, e recebe o primeiro prêmio com o quadro Segunda Visão da Terra Santa, feito durante as caminhadas no Engenho São João.
1948
Outra vez envia cinco quadros para a Sala do Museu do Estado, e obtém o primeiro prêmio e menção honrosa. Encontra-se com o pintor Cícero Dias, que vem de Paris para a exposição no Recife. Impressionado com a pintura e as convicções do jovem pintor, Cícero convence o amigo Ricardo a mandar o filho para estudos na capital francesa.
1949
Após casar-se no final do ano anterior, Brennand chega a Paris, onde é recebido por Cícero Dias, que o apresenta ao mundo artístico local. Diariamente se ocupa com pintura e visita galerias e museus.
1952
De volta ao Brasil, passa a morar na casa do Engenho São Francisco, de propriedade da família. Desperta para os processos industriais da cerâmica e porcelana, e decide ir aperfeiçoar-se na Itália, fazendo estágios em pequenas fábricas de cerâmicas. Na cidade de Deruta, na Úmbria, experimenta pigmentos e queimas fora dos modelos clássicos da cerâmica, descobrindo novos efeitos. Em dezembro volta a Paris e conhece o pintor Balthus, que lhe inspira enorme admiração. Logo depois está de volta ao Brasil.
1953
Volta a trabalhar no antigo ateliê da fábrica, onde faz jarros e pratos cerâmicos, usando conhecimentos obtidos em Deruta. Inicialmente, estas peças são ornadas com motivos florais.
1954
A família Brennand inaugura uma fábrica de azulejo, em cuja fachada o artista instala o seu primeiro grande painel cerâmico. Aos poucos retoma a pintura ao ar livre e de ateliê. Alguns desses quadros irão para a Bienal Hispano-Americana de Barcelona em 1955 e para a exposição da Paisagem Brasileira no MAM, em São Paulo.
1958
Brennand realiza seu primeiro painel cerâmico para um espaço público, instalado no Aeroporto Internacional dos Guararapes.
1959
Expõe três pinturas na V Bienal de São Paulo.
1960
Exposição individual das placas cerâmicas no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1961
Exposição de pintura no Recife e em Belo Horizonte. Em Salvador expõe 76 peças em cerâmica, entre pratos, placas e painéis, no Museu de Arte Moderna da Bahia.
1962
Conclui o grande painel Batalha dos Guararapes, instalado em espaço público no centro do Recife. Inicia o projeto do seu maior mural, com 656m2, terminado no ano seguinte e instalado na sede da Bacardi em Miami, Estados Unidos.
1963
Realiza mural em cerâmica para o Museu do Homem do Nordeste em Recife. É convidado pelo então Governador Miguel Arraes para assumir a Casa Civil do Governo de Pernambuco, cargo que exerce até o golpe militar de 1964.
1966
Participa da I Bienal da Bahia, em Salvador, onde recebe uma sala especial.
1969
Exposição individual de pinturas na Petite Galerie, no Rio de Janeiro, e em São Paulo, na galeria Astréia (pinturas e cerâmicas).
1971
Realiza mural em cerâmica para a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, no Recife, e participa com doze grandes pinturas da XXI Bienal de São Paulo. Inicia a reconstrução a partir das ruínas da antiga Cerâmica São João, que passará a se chamar Oficina Cerâmica Francisco Brennand, onde instala o seu ateliê. Durante anos irá realizar esse work in progress, modificando e “povoando” com esculturas cerâmicas os espaços da propriedade.
1975
Entre 1975 e 1990 realiza a maioria das esculturas que hoje formam o templo da Oficina.
1978
Participa da mostra The Original and its Reprodution em Washington (D.C) e Filadélfia, EUA (1980).
1980
Criação do Pássaro Rocca, uma das figuras emblemáticas do templo.
1981
Participa da exposição da Coleção Gilberto Chateaubriand no MAM do Rio de Janeiro.
1985
Participa, como artista convidado, da XVII Bienal de São Paulo.
1989
Realiza exposições individuais em Londres, na Galeria do The South Bank Center, e em São Paulo, na Galeria Montessanti. É convidado para a XX Bienal de Óbidos, em Portugal.
1990
Integra a representação brasileira na 44ª Bienal de Veneza.
1992
Integra a representação brasileira na Expor 92 em Sevilha, Espanha, e participa da exposição Imagens do Brasil em Zurique, Suíça.
1993
Realiza uma grande exposição retrospectiva no Staatliche Kunsthalle, em Berlim, na Alemanha. Recebe o Prêmio Interamericano de Cultura Gabriela Mistral, conferido pela Organização os Estado Americanos – OEA, em Washington D.C., nos Estados Unidos, atribuído por um júri internacional.
1995
Participa da II Bienal do em Caracas e Maracaibo, Venezuela.
1997
Publicação do livro Brennand, de Olívio Tavares de Araújo e Weydson Barro Leal.
1998
Grande exposição retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo, atendendo a convite do diretor Emanoel Araújo.
1999
Termina, após trinta anos de escrita periódica, o original de seu diário intitulado O nome do livro, iniciado em 1949 durante a sua primeira viagem a Paris, contendo 1200 páginas. Realiza uma grande exposição de esculturas cerâmicas no Teatro Nacional de Brasília.
2000
A convite da Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, faz exposição de esculturas e desenhos. Parte desta mostra é levada para o Centro Cultural Palácio Rio Negro, em Manaus. Participa das exposições coletivas Os anjos estão de volta e Esculturas brasileiras na Luz, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob a curadoria de Emanoel Araújo. É convidado também para a exposição coletiva Ferreira Gullar 70 anos - Poesia & Poesia, no Rio de Janeiro.
2001
É editado em plaquete o ensaio Brennand – A matriz da vida, da professora chilena Cecília Toro. Exposição Brennand no acerto com o
mundo, com 24 esculturas e 52 desenhos, na Fundação Júlio Resende na cidade do Porto, Portugal. É convido para participar, com esculturas cerâmicas, do maior parque de esculturas a céu aberto da Europa, em Oeiras, Portugal.
2002
Executa um grande painel cerâmico medindo 18 x 2,00m, para a Praça das Águas em Boa Vista, Roraima. É publicado o livro O olhar amoroso – textos sobre arte brasileira, de Olívio Tavares de Araújo, onde o ensaio “Brennand e o sentimento trágico do mundo” constitui uma das melhores análises sobre sua obra cerâmica.
2003
Envia para São Paulo a escultura Coluna da Primavera, medindo 4.9m, para os jardins do Museu Brasileiro de Esculturas – MUBE. Em 11 de dezembro é inaugurada a Accademia, museu para desenhos, pinturas e esculturas, com uma grande mostra retrospectiva de sua obra, sob a curadoria de Emanoel Araújo. Fazendo parte deste conjunto, inaugura também o Teatro Heitor Villa-Lobos. Na mesma data, é lançado o livro Brennand - Desenhos, do poeta Weydson de Barros Leal.
2004
Inaugura o espaço Estádio dentro da Oficina Cerâmica, para exposições de artistas nacionais e estrangeiros. Para o ano de 2005, o artista
já está com o projeto em mãos para erguer a Capela da Imaculada Conceição, em frente ao Lago da Sombra, também idealizado pelo artista (2001), nas imediações do Museu/Oficina, local onde antigamente era a casa do Barão de Muribeca, Manoel Francisco de Holanda Cavalcanti de Albuquerque. Hoje restam apenas ruínas onde será edificada a igreja em homenagem à Imaculada Conceição, com projeto do arquiteto paulista Paulo Mendes da Rocha e contribuição de murais e esculturas religiosas de Brennand.
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