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A presente obra inspira-se das preparações culinárias para os rituais Jesa, que seguem o conceito da geomancia (풍수 pungsu), arte muito importante na sociedade coreana desde a dinastia Goryo, tendo influenciado e determinado a localização de vilas e aldeias, torres e torres de vigilância na península coreana, assim como o posicionamento dos pratos nas mesas de cerimônias dos ritos praticados em memória aos ancestrais.

O olhar de François Andes se apodera da arquitetura dos palácios reais e dos muros de Seul, vagueia pelas florestas que não conhecem fronteiras entre as duas Coreias, testemunha os preparativos para as cerimônias Jesa e se inquieta diante das torres virtuais de nosso mundo atual. Como os antigos geógrafos, as paisagens criadas por François Andes não se limitam à geografia dos lugares. Sua energia criadora irriga o papel e demanda circulação, na tentativa de se apoderar do mundo e ao invés de reduzi-lo, seguindo a lição antropofágica de Oswald de Andrade.