15.06.2011
Futuro dos museus paranaenses foi tema de debate no MON
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Na abertura do seminário: Estela Sandrini, diretora do Museu Oscar Niemeyer; Paulino Viapiana, secretário de Estado da Cultura; Christine Vianna Baptista, coordenadora do Sistema Estadual de Museus; Paulo Herkenhoff, crítico de arte e Sandra Fogagnoli, do planejamento cultural do MON (FOTO: Kraw Penas).
A primeira etapa do seminário “Museus de arte no Paraná: a construção do futuro”, realizado no dia 14 de junho Museu Oscar Niemeyer cumpriu os objetivos previstos pelo secretário da Cultura do Paraná, Paulino Viapiana. No início do encontro, às 9h, no palco do auditório Poty Lazzarotto, Viapiana afirmou que essa reunião tinha por finalidade reunir contribuições importantes e úteis para melhorar o que se faz na cultura do Paraná. E foi exatamente esse o saldo da conversa, que transcorreu durante todo o dia.
Mais de 20 convidados, incluindo especialistas em museologia, professores universitários, artistas e responsáveis por órgãos do Estado, além do público, apresentaram propostas que, de modo amplo, têm a finalidade de auxiliar na elaboração da política estadual de museus – há 329 espaços museológicos no estado. Formação de acervo, documentação e memória, arte e educação e a interlocução do artista com o espaço expositivo foram alguns dos temas do seminário, mediado pelo crítico de arte Paulo Herkenhoff.
Após a coordenadora do Sistema Estadual de Museus, Christine Baptista, apresentar um diagnóstico da situação dos museus no Paraná, o encontro abriu espaço para reflexões que instigaram os participantes. A professora universitária especializada em artes visuais, Maria José Justino, afirmou que o museu é o lugar da memória. “O passado, que é a memória, só existe no presente. Portanto, o passado precisa de interpretação, e cabe aos museus realizar essa interpretação”, disse Maria José, que ainda completou que os espaços museológicos devem ser destinados, não para o espetáculo, mas para a experiência estética.
O diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), Fernando Severo, observou que o MIS deve estar em conexão com as manifestações artísticas de vanguarda, entre as quais o videoarte e a vídeo instalação. “Além do quê, o MIS e os outros museus do estado podem estabelecer parcerias, o que vai criar uma grande rede no estado”, completou Severo.
A aproximação dos artistas com os museus foi outro assunto que envolveu os convidados. O diálogo entre artista e espaço museológico foi exemplificado a partir da experiência do artista cearense Yuri Firmeza, que ganhou uma bolsa para realizar uma obra dentro do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, há alguns anos, ocasião na qual a instituição era dirigida por Priscila Freira. Priscila e Yuri estavam no seminário e puderam relatar, com detalhes, como é possível e enriquecedora essa via de mão dupla que aproxima instituição e artista.
Guilherme Vergara, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e professor da Universidade Federal Fluminense, salientou a necessidade de os museus estarem em sintonia com as novas visões e percepções de mundo, para que as entidades entrem, de vez, no século 21.
“O sonho que eu tenho é que o museu seja objeto de admiração dos artistas, e objeto de reflexão para o grande público”, afirmou a diretora do MON, Estela Sandrini, antes do encerramento, que teve, como palavras finais, a declaração de Herkenhoff: “Esse encontro é uma garantia de que as coisas vão caminhar”.