27/03/09


Visitação ao Museu Oscar Niemeyer chegará a um milhão em 2009


O número de visitantes ao Museu Oscar Niemeyer chegará à marca de um milhão até o final deste ano. A avaliação do crescente aumento de público, ano–a–ano, foi feita, na última terça-feira (24), durante a apresentação do Balanço Geral do exercício de 2008, na Assembléia Geral da Sociedade dos Amigos do MON, da qual participaram a diretoria da instituição, os sócios fundadores e contribuintes. 

Dos primeiros seis meses de funcionamento do Museu Oscar Niemeyer, em 2003, até o ano passado, o total de visitantes saltou de 56.774 para 190.964, o que significa um aumento de 236,36 %. Resultado da política de popularização do Museu para permitir o acesso democrático a todas as camadas sociais, o público que visitou o Museu gratuitamente em 2008 somou 95.084, o que representa cerca de 50 % do total. Se for computado o número de estudantes que pagou meia entrada, 35.108 pessoas, a porcentagem salta para aproximadamente 70 % do total.

Esses números refletem o alcance do programa de franquias que isenta do pagamento grupos de estudantes de escolas públicas agendados, do ensino médio e fundamental, menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Além de permitir acesso gratuito aos visitantes em geral no primeiro domingo do mês e a outros grupos agendados assistidos por programas de inclusão, socialização ou de reeducação.

No Museu, esses grupos são atendidos pela coordenação de Ação Educativa, que é a grande porta de entrada do público que tem acesso gratuito. Somente no ano passado, o núcleo atendeu 43.786 visitantes, sendo 37.993 estudantes. Do total de atendimentos, 13.782 visitantes eram de escolas estaduais, 12.098 de escolas particulares, 11.477 de escolas públicas municipais e 5.793 do ensino superior. Em sua função sócio-educativa, a coordenação desenvolve um trabalho artístico e pedagógico por meio de acompanhamento de visitas aos grupos agendados, aplicação de oficinas, cursos, palestras e capacitações.      

Programação 2009

O público tem sido atraído, principalmente, pela programação de exposições e atividades relacionadas, como as oficinas e as capacitações. Embora ainda sujeita a alterações, devido ao fechamento de negociações e captações de recursos, o calendário expositivo deste ano mantém a estratégia de apresentar mostras com obras de artistas referenciais na história. “Nossa programação continuará exibindo grandes exposições com produções locais, nacionais e internacionais. Já temos o calendário fechado até março de 2010.”, afirmou a presidente do Museu, Maristela Quarenghi de Mello e Silva. Em Paisagem – Entorno e Retorno, do Museo Soumaya, do México, a coleção exibe trabalhos de grandes mestres, como Renoir, Degas, Velasco, Monet e Van Gogh. Outra exposição é composta exclusivamente por obras de Candido Portinari, um dos principais protagonistas do modernismo brasileiro.

A maior expectativa deste ano é pelas exposições que irão marcar a passagem do Ano da França no Brasil. Curitiba será a primeira capital brasileira a receber, no Museu Oscar Niemeyer, a Coleção Renault, que depois seguirá para o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. A seleção inclui obras de artistas atuantes nos mais diversos movimentos históricos da arte. Destacamos a pintura de Jean Dubuffet, um dos precursores e protagonista da Arte Informal na França; Henri Michaux, que conduziu sua produção pictórica para a abstração; Robert Rauschenberg, o grande instigador da Pop Art americana; e Julio Le Parc, participante da criação de um grupo de pesquisas da Arte Visual. Destaque especial a Robert Doisneau, considerado um dos maiores fotógrafos humanistas do século 20, e ao pintor islandês Erró, principal personagem da Figuração Narrativa e considerado um dos protagonistas da Pop Art na Europa.

Autocromos: Irmãos Lumière destacará a importância dos irmãos franceses no desenvolvimento do primeiro processo de fotografia colorida, chamado de autocromo. Os irmãos Lumière são apontados como os pais do cinema. A mostra irá apresentar 70  réplicas dos autocromos, cujas cenas lembram a pintura impressionista. Outro grande destaque do ano será a apresentação da Coleção Femsa, reconhecida como uma das coleções privadas mais importantes da América Latina. Entre os trabalhos há obras de Antonio Berni, Fernando Botero, Iberê Camargo, Pedro Figari, José Gamarra, Oswaldo Guayasamin, Frida Khalo, Wifredo Lam, Roberto Matta e dezenas de outros.

Considerado um dos mestres do modernismo no continente, o equatoriano Oswaldo Guayasamin destaca-se entre outros grandes artistas como Portinari, Wifredo Lam e Diego Rivera. Uma mostra individual apresentará a produção do equatoriano. Com uma trajetória notável, o artista possui uma obra que fala pelo povo, em suas questões sociais. É a temática marcante de desenhos, gravuras e pinturas de Guayasamin. Nascido em Quito, o artista captou o cotidiano das camadas mais humildes da sociedade, especialmente a dos indígenas, trazendo para seus trabalhos a influência da tradição milenar da arte colombiana.       
        
Através de parceria entre o Museu Sorolla, de Madri, e o Museu Oscar Niemeyer, também será realizada uma mostra antológica do pintor impressionista Joaquim Sorolla, considerado o representante do iluminismo espanhol. Em sua obra, Sorolla retrata cenas do cotidiano, sem deixar de manter firme o compromisso ético e social com o resgate de seu povo, oprimido pelos conflitos que levaram a Espanha à Guerra Civil. A exposição deverá reunir aproximadamente 80 obras, entre retratos, paisagens, nus e cenas do litoral valenciano.

A produção nacional estará representada por outros nomes significativos do cenário artístico brasileiro, como Marcello Grassmann, Burle Marx e Paul Garfunkel. Com brilhante trajetória, o desenhista e gravador Marcello Grassmann possui carreira internacional atuante, com diversos prêmios em mostras e Bienais de São Paulo e Veneza. Nesta primeira mostra retrospectiva, deverão ser reunidos entre 300 e 400 trabalhos do artista, incluindo desenhos, xilogravuras, litografias e gravuras em metal.

O Museu apresentará também uma exposição de Burle Marx, considerado o maior paisagista do País. A mostra terá aproximadamente 80 pinturas do figurativo ao abstrato, 30 projetos originais para a implantação de paisagismo no Brasil e no exterior, e 15 gravuras-litografias; além de fotografias e documentação histórica. Extrato de uma geração que só tinha olhos para os modelos de jardins europeus, o artista apontou sua criatividade para as espécies e composição brasileira. Mestre da luz e da sombra, evidenciados em seus projetos de paisagismo, também deixou trabalhos e tapeçarias de grande beleza. Mais conhecido pelos projetos de paisagismo, Burle Marx deixou memoráveis jardins, como nos parques do aterro do Flamengo, no Museu de Arte Moderna do Rio, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e nos jardins suspensos do Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Com o objetivo de valorizar e difundir os artistas que desenvolveram suas produções no Paraná e marcaram a história da arte no Estado, o Museu exibirá a terceira edição de mostras de artistas paranaenses. Neste ano, será apresentado Paul Garfunkel, nascido em Fontainebleau, na França, mas que captou com simplicidade e lirismo a paisagem paranaense. Preocupado em reagir contra o abstracionismo e suas diversas manifestações, Garfunkel interessou-se pelas paisagens que traduziam o mundo não funcional, com campos e cidades não personalizadas, através de uma pintura sem artifícios ou de pretensa intelectualidade.

Lei Rouanet

Com consulta pública aberta no site do Ministério da Cultura, as mudanças na Lei Rouanet e suas implicações foi outro tema abordado na Assembléia Geral da Sociedade dos Amigos do MON. Foi consenso entre os participantes que, para assegurar a vasta produção cultural no Paraná, pelas diversas áreas, há necessidade de se debater profundamente, com toda a sociedade, o projeto de reforma.

Também foram aprovadas por unanimidade as alterações de redação do novo Estatuto da Sociedade dos Amigos do MON. As mudanças são necessárias para que o texto do estatuto esteja adequado às exigências do Código Civil, alterado em 2005. Uma das alterações é a mudança do termo sociedade para Associação dos Amigos do MON.

 


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