Livro
e exposição homenageiam Artigas
Em homenagem ao arquiteto paranaense João
Batista Vilanova Artigas (1915-1984), que completaria
90 anos em 2005, o Museu Oscar Niemeyer, em parceria
com o Instituto G Arquitetura - Casa Vilanova
Artigas, realizam, na próxima quinta-feira
(01/09), às 19h, uma palestra e o lançamento
do livro Casa Vilanova Artigas Curitiba, a partir
das 20h30. O evento será complementado
com a realização da exposição
da cadeira Preguiça, projetada pelo arquiteto.
O evento é aberto ao público.
O livro, com 74 páginas, editado em português
e inglês, organizado pela arquiteta Giceli
Portela, apresenta detalhes da casa projetada
em Curitiba por Artigas, na Rua da Paz. O texto
principal, o qual relata desde a concepção
da residência até a sua realização,
é assinado por Marcelo Saldanha Sutil,
doutor em História da Arquitetura. Entre
fotos e detalhes da obra, o livro traz ainda depoimentos
de reconhecidos arquitetos brasileiros como Paulo
Mendes da Rocha, Joel Ramalho, Marcos Carrilho,
Irã Dudeque, Key Imaguire Júnior
e Manoel Coelho. A apresentação
do livro é assinada por Rosa e Julio Artigas,
com ilustrações do arquiteto Roberto
Gandolfi.
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A
Casa
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| Construída
entre 1953 e 1957, na Rua da Paz, a casa, atualmente
sede do Instituto G Arquitetura, foi projetada
para o médico João Luiz Bettega,
em 1949. Com desenho e disposição
arquitetônica incomum para a época,
a residência criou polêmica e gerou
críticas. Um exemplar da influência
dos traços modernistas de Le Corbusier.
Nela, todos os ambientes são voltados para
a face que mais luz solar recebe em Curitiba,
a face Noroeste.
Para alguns, apenas "um caixote de vidro
e concreto", com a frente marcada em cor
vibrante, um vermelho queimado. Porém,
na ótica dos especialistas, atualizada
e modernizada pela visão de "um mestre"
que soube "mixar em seus projetos arquitetônicos
as convicções políticas e
estéticas". Em síntese, a casa
projetada pelo arquiteto, filiado ao PCB (Partido
Comunista Brasileiro), para muitos, era quase
uma subversão.
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Nela,
nada há de ostentação. Não
há fachada cenográfica, aliás,
nem há fachada. "A entrada da residência,
lateral e quase no meio do lote, criou uma solução
rara na Curitiba dos anos 50, assim como o quase
esvaziamento da fachada, tornando-a semelhante
à face lateral", afirma a arquiteta
Giceli Portela, idealizadora e responsável
pela restauração e transformação
da casa em um instituto.
Para ela, outro ponto relevante na residência
é o tratamento dado à dependência
de empregada, com vista para o jardim interno.
Artigas projetou-a como um apartamento à
parte, com entrada independente, mas integrada
ao corpo da casa e com a mesma insolação
das dependências destinadas aos patrões.
O destaque fica por conta da escada, em espiral,
que encaminhava a esse quarto.
"Escada semelhante, de construção
complexa e de grande valor estético, fora
projetada por Artigas em outra casa, em São
Paulo. No entanto, nessa residência, a escada
localizava-se na área social. Já
na casa da família Bettega, a escada fazia
parte do setor de serviço, nos fundos,
dotando-o de uma importância não
imaginada anteriormente." |
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O
livro Casa Vilanova Artigas Curitiba é
resultado do projeto de recuperação
dessa casa que por muitos anos foi pouco conhecida.
A partir de abril de 2004, depois de restaurada
e transformada no Instituto G Arquitetura - Casa
Vilanova Artigas, a residência passou a
ser espaço de atividades relacionadas ao
arquiteto e a arquitetura.
Com cerca de 500 metros quadrados, a residência
hoje é tombada pelo Patrimônio Histórico
do Paraná. Distribuída em dois pavimentos,
o piso térreo serve às principais
atividades culturais como exposições,
cursos e palestras. O pavimento superior é
destinado à administração
e serve de escritório para a arquiteta
Giceli.
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A
cadeira
Com o sugestivo nome de Preguiça, a cadeira
foi projetada por Artigas em 1945. Dada a sua
importância para a história do designer
brasileiro, a cadeira, construída em madeira
e couro, está sendo reeditada pela empresa
curitibana Desmobília. A empresa é
especializada em produção e restauro
de móveis de autor. A Preguiça está
sendo produzida de acordo com as especificações
e os projetos cedidos pela Fundação
Vilanova Artigas. A produção é
feita em pequenas séries, de 10 em 10 unidades,
numeradas e com certificado de autenticidade.
Uma delas permanecerá em exposição
no Museu Oscar Niemeyer.
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Artigas
A casa Vilanova Artigas, localizada na região
do Rodoferroviária de Curitiba, é
uma das quase 700 obras realizadas pelo arquiteto
no País. Porém, as obras que o tornaram
internacionalmente conhecido foram executadas
em São Paulo como o Estádio do Morumbi
e o prédio da Faculdade de Arquitetura
da Universidade de São Paulo (FAUUSP).
Ao lado de Frederico Kirchgässner e Lolô
Cornelsen, Artigas foi o responsável pelas
primeiras manifestações modernistas
na arquitetura curitibana. Graduado como engenheiro-arquiteto
pela Escola Politécnica da USP, Artigas
deixou outras significativas obras no Paraná,
embora tenha atuado principalmente em São
Paulo.
Em Curitiba, ele também assinou o projeto
do Hospital São Lucas e da residência
da família Niclievicz. Já no interior
do Estado, em Londrina, projetou a antiga estação
rodoviária, hoje transformada em museu,
a Casa da Criança e o Cine Ouro Verde.
Suas primeiras obras em Curitiba datam dos anos
40, quando sua arquitetura era fortemente influenciada
pelos projetos de Frank Lloyd Wright. Mais tarde,
ele assumiu a influência de Le Corbusier,
marcadamente reconhecida na residência da
família Bettega.
Também é forte na formação
de Artigas a convivência com os artistas
populares de São Paulo do grupo Santa Helena,
a chamada "família artística
paulista". Por essa importância de
Artigas na história da arquitetura brasileira,
todo o acervo de sua produção é
preservado nos arquivos da FAU-USP.
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