Siron Franco (Goiás Velho-GO, 1947) apresenta 35 pinturas inéditas, uma delas de 1990. O conjunto reúne a produção recente do artista, a grande maioria foi produzida neste ano e outras iniciadas em 2005. Algumas telas são dípticos que alcançam de três a quatro metros de largura. A exposição Siron Franco, marca a primeira mostra, dos últimos dez anos, realizada com pinturas inéditas. Autor de imagens fortes e impregnantes, Siron Franco é presença marcante e fundamental no cenário da arte brasileira e reconhecido internacionalmente.

Com curadoria do crítico de arte Agnaldo Farias e concepção da Tekne Projetos Culturais, a mostra apresenta novos trabalhos de Siron que fogem do chamado “realismo mágico literário” que foi associado a suas obras ainda nos anos 70. No entanto, a complexidade da obra de Siron pode ser observada mais uma vez nesta nova série.

“Essa exposição marca a volta de um artista que, na altura em que completou 60 anos, voltou depois de dez anos, um longo tempo efetuando um mergulho interior, uma inflexão que redundou num corte em relação ao que fazia e que já não encontrava razão e nem satisfação em seguir fazendo. Alguns de seus interlocutores mais próximos não compreenderam ou simplesmente, como amigos que são, temeram pelo que viria em função dessa nova trilha adotada pelo artista. Mas não há o que fazer. O artista não consegue conter seu ímpeto em prosseguir pesquisando e, é claro, seu compromisso maior só poderia ser com sua obra (...) expõe os fundamentos de sua poética, a maneira com que mira o mundo, a certeza de seu acerto, patente na maturidade desses novos trabalhos.” A análise é um trecho da apresentação da entrevista feita com Siron pelo respeitado crítico de arte Agnaldo Farias, responsável pela seleção das obras em exibição.

Depois de abrir a temporada brasileira em Curitiba, a mostra será apresentada em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, aberta ao público entre 06 de dezembro e 04 de fevereiro de 2007, e no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, entre 27 de fevereiro e 06 de maio de 2007.
 
Nova Série
O curador Agnaldo Farias ressalta que, a nova série de trabalhos “prossegue na figuração, mas muito distante da figuração de outros tempos, onde as figuras, ainda que monstruosas, eram mais identificáveis, afeitas ao que então se esperava de alguém entrincheirado no Realismo. A novidade pode ser resumida ao seu avizinhamento da abstração o que, por outro lado, é um modo de reduzir a complexidade da operação pictórica, impossível de ser tratada a partir de categorias tão simplistas”.

Entre as novas telas estão diversos dípticos como “Ciclo da vida” (dois metros de altura por dois e sessenta de largura), entre outras telas, como “Pop star”, “Lembrança de Londres”, “Ano e homem”. O curador enfatiza que com trabalhos como estes “Siron Franco demonstra, exemplarmente, o que é capaz de extrair desse recurso”.

Sobre os elementos presentes nas obras recentes, Farias explica que os “gestos e mãos impressas, isolados, sobrepostos ou embaralhados num amálgama difuso, protagonizam essas pinturas, são a carne das imagens e a substância através da qual as cores se manifestam. A presença do grafismo, um dos aspectos fundamentais das pinturas de Siron Franco em todas as épocas, a outra é o uso ousado e franco das cores, seria, além do impulso atávico de formalização, mais uma herança de sua vida no cerrado, do cultivo de sua sensibilidade num ambiente seco e plano, onde a ausência de umidade impede a formação da névoa que na distância embaça os objetos encobrindo seus detalhes, dissolvendo seus limites, fazendo com que se confundam uns nos outros”.
A Produção
Acolhido em um lugar conhecido por Refúgio das Antas, em um município vizinho de Goiânia, o pintor Siron Franco lança do cerrado sua voz vigorosa, em uma produção de particular repertório plástico. De acordo com os críticos, o reconhecimento conquistado pelo artista se deve a uma produção que não se apega a nenhum modelo ou escola.

Para eles, Siron é ao mesmo tempo um artista que, voltado à sua arte, faz dela um meio para defender princípios que vão do político ao ético, à defesa do meio ambiente. Segundo Farias, “Siron é conhecido como artista e, mais do que isso, como um artista atento, engajado, diria até que freneticamente engajado na defesa de um sem número de causas, e não há dúvida que mesmo em Goiânia, cidade que se jacta de constar entre as sete cidades brasileiras com melhor qualidade de vida, existe um punhado delas, as nossas velhas conhecidas agressões, do meio ambiente até a agressão contra mulheres e crianças e, em se tratando das peculiaridades da região centro-oeste, o desrespeito às nações indígenas e seu extraordinário conhecimento da fauna e flora, e mesmo das inestimáveis lições de civilidade que eles têm a dar”.

Todos esses simbolismos estão expressos nas obras anteriores do artista, onde as mãos espalmadas –“sinal da existência humana a intervir, construir e, muitas vezes, a limitar, ameaçar e destruir”–, saltam do mesmo território criativo em que surgem impressionantes seres justapostos a animais.

Os grafismos, as mutilações e as figuras inventadas, que parecem pertencer à fronteira do real e do pesadelo, constituem parte do mundo pictórico próprio de Siron Franco. Frente a esse universo das produções “sironeanas”, como diz Ferreira Gullar, um de nossos mais importantes críticos e assíduo interlocutor do artista, Agnaldo Farias alerta que “é sempre preciso olhar a obra de Siron como se fosse a primeira vez em que se vê pintura”.





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