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| Senise
apresenta suas obras mais recentes, algumas inéditas
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Um
dos principais nomes surgidos entre os artistas plásticos
da chamada Geração Oitenta, Daniel
Senise (Rio de Janeiro, 1955) apresenta suas obras
mais recentes. A exposição é composta
de 23 pinturas, algumas inéditas. Entre elas
estão os trabalhos realizados entre 2000 e 2006.
O curador e crítico de arte Agnaldo Farias diz,
porém, que a mostra enfatiza a apresentação
das obras realizadas nos últimos quatro anos.
Segundo ele, são monotipias retiradas por Senise
de “pegadas do chão”, realizadas
pelo processo de impressão. Uma das técnicas
consiste em colar tecidos ao chão, recortá-los
em retalhos, em diferentes ângulos, para depois
desenhar ou “pintar” o espaço na
tela por colagem.
“A obra faz aludir a uma coisa que não
está lá, mas que deixou rastros. Existe
uma memória. Há resíduos do amor
e da morte. Não dá para pensar o momento
atual sem trazer o passado. Senise faz isso com uma
visão contemporânea, revisa o passado e
o transforma, alterna.”
Organizados em três séries, esses trabalhos
são apresentados no núcleo chamado Chãos.
Em algumas dessas obras, o artista criou suas superfícies
com tecidos e lençóis provenientes de
um hospital e de um hotel. As duas séries restantes
mostram pinturas históricas do artista e outras
composições mais complexas, compostas
pela utilização de elementos arquitetônicos.
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“Os
quadros dele são uma arena, como a marca deixada
na tela dos pregos oxidados. Senise faz pintura, na
acepção ampla. Tem a idéia da pintura
como uma superfície, o que é uma visão
muito contemporânea do processo”, define
Farias. Ele lembra que o artista se utilizou dos pincéis
nos anos 80, fase que tornou-se o marco para um avanço
ininterrupto. As obras ganharam outras significações
e a pintura a experimentações de novas
técnicas e processos, “surgindo sempre
nova e original”.
O artista é oriundo da Escola de Artes Visuais
do Parque Lage e iniciou sua carreira estudando pintura
com John Nicholson e Luiz Áquila. Atualmente,
divide o tempo entre seus ateliês em Nova Iorque
(EUA), e no Rio de Janeiro, participando ativamente
do circuito internacional das artes visuais. Sinônimo
de reconhecimento, as obras de Senise estão presentes
em coleções dos principais museus dos
Estados Unidos, da Europa e de outras partes do mundo.
Farias alerta que o público que visitar a exposição
deverá “perceber que uma das regras essenciais
da poética” de Senise consiste no jogo
de referências. “Inventora e inventada pelo
tempo, a linguagem, no caso a linguagem visual, mais
precisamente algumas das variadas formas e léxicos
expressivos inventados pelos séculos, comparecem
embaralhados nessas telas. Será possível
reconhecer imagens familiares ou, ao menos, formas de
representação familiares; o modo peculiar
como ele exerce a crítica da pintura, reflete
sobre sua razão de ser nos dias de hoje. Trata-se,
pois, de uma obra difícil. Não obstante
atraente. Capaz de nos deixar em estado de atenção,
como nas noites de insônia quando, em estado de
vígilia, perscrutamos os objetos e os espaços
da nossa casa que, submersos na noite, ampliam seus
mistérios.”
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| Geração
Oitenta |
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Para
o produtor Fábio Coutinho, o conjunto selecionado
faz “um recorte preciso da produção
de Senise, além de um panorama do período
da retomada da pintura e seus desdobramentos na história
recente da arte brasileira”. “Senise é
possivelmente o primeiro nome à cabeça,
quando o assunto é Geração Oitenta
–aquela em que a produção artística
contemporânea firmou-se e se expandiu”,
enfatiza Agnaldo Farias.
O crítico afirma que a produção
de Senise “é das mais consistentes e, como
tal, exige ser mais conhecida”. Não só
a dele. Ele analisa que, em 2006, ainda se vive sob
a paradoxal constatação de que, no Brasil,
“as artes visuais mantêm-se invisíveis,
mas prosperam”.
“Um dos equívocos ensejados pelo desconhecimento
e pelo repasse acrítico de informações
superficiais insiste em localizar a produção
dos anos 80 como fundamentada no binômio arte
e prazer. A obra de Daniel Senise, como se confirma
através dessa seleção de obras
recentes, é uma prova contundente no que se refere
à improcedência dessa noção.”
Ele ressalta que se trata de uma obra marcada pela inquietude
e pelo modo peculiar com que experimenta o tempo. “E
porque lida com ele, seu trabalho nunca é suave,
efusivo e alegre. O tempo é um senhor grave,
como suas telas em tons terrosos, arquiteturas sombrias
e eloqüência silenciosa.”
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