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As esculturas feitas de arte e fé unem o elemento
plástico, simbólico e funcional
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A
mostra reúne 246 imagens, confeccionadas entre
os séculos 17 e 19, eruditas e populares, pertencentes
à colecionadora Angela Gutierrez, presidente
do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG),
criado em 1998, com a missão de preservar e divulgar
o patrimônio artístico e cultural brasileiro.
São representações arraigadas na
imaginária brasileira, confeccionadas entre os
séculos 17 e 19, originárias de várias
regiões do País; especialmente de Minas
Gerais.
As peças, de diversificados e ricos entalhes,
apresentam diferentes detalhes de cortes, materiais,
formas e estilos. Uma preciosa coleção,
já exibida na França, feita de madeira,
pedra sabão e terracota. Carregadas de histórias
da devoção popular, são, para alguns,
imagens que tocam a sensibilidade, o etéreo e
o utópico. Sant’Ana, o dom feminino da
Grande Mãe, a mãe da Virgem Maria e avó
de Jesus Cristo.
Pode ser, para outros, uma proposta de releitura da
formação cultural brasileira, desde a
colonização portuguesa até o Ciclo
do Ouro, em Minas, que se irradia no chamado Barroco
Mineiro, no século 18, como ressalta o curador
científico da mostra e prefeito de Ouro Preto,
Angelo Oswaldo de Araújo Santos. São,
enfim, esculturas feitas de arte e fé, que unem
o “elemento plástico, simbólico
e funcional”.
São obras de excepcional qualidade, dos mais
diversos estilos e técnicas, que a colecionadora
pesquisou durante mais de três décadas.
A devoção pela santa – protetora
da fecundação, dos lares e da família,
foi, segundo Angela, a sua grande motivação.
“Sempre busquei abrigo para a minha fé
nesta imagem da Grande Mãe, |
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que representa o dom feminino de gerar, nutrir e educar
para o amor”, afirma.
O acervo foi exposto ao público poucas vezes:
no Museu Carlos Costa Pinto, em Salvador (2002), na
Pinacoteca do Estado de São Paulo (2003), em
Belo Horizonte, nas instalações do Estado
de Minas(maio de 2005) e em Nice, na França (junho
de 2005), onde fez parte da programação
oficial do Ano do Brasil na França.
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| Arte
e Fé |
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A
devoção a Sant’Ana, mãe da
Virgem Maria, constitui no Brasil colonial e imperial
um dos pontos mais significativos da religiosidade popular,
que se consagra no bojo de usos e costumes, hábitos,
tradições, fatos e lendas, mitos ameríndios,
europeus e africanos conjugados na formação
cultural da nova terra. “A exposição
é uma oportunidade privilegiada para que, com
olhar sensível sobre essas obras de arte e de
fé, se possa pensar a formação
cultural do Brasil”, diz o curador. A colecionadora
acredita que, a partir do acervo, “o público
poderá reler uma história que começa
com a chegada dos portugueses, passa pela fundação
de São Paulo e a ocupação do Vale
do Paraíba, atinge a conquista dos sertões
auríferos e refulge na manifestação
artística de Minas Gerais, no ciclo do ouro”.
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