A exposição apresenta o quadro A Primeira Missa no Brasil, pintado por Victor Meirelles, em 1860, e que foi totalmente restaurado pelo Museu Nacional de Belas Artes, com o patrocínio do BNDES. A mostra é complementada pela exibição de painéis fotográficos sobre todo o processo de restauração e de 12 desenhos produzidos pelo artista, chamados de estudos preparatórios, que fundamentaram a execução da famosa obra.

A obra foi baseada na carta que Pero Vaz de Caminha enviou a Dom Manuel, por sugestão de Manoel de Araújo Porto Alegre. A Primeira Missa no Brasil foi pintada em Paris e foi a primeira obra de um artista brasileiro aceita no Salão Francês. “É uma honra para o Museu receber uma das obras mais importantes que temos e que reflete um momento histórico para o Brasil”, disse a presidente do Museu Oscar Niemeyer, Maristela Requião.
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Após participar da exposição em Paris, o quadro foi um dos escolhidos para representar o Brasil na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. “As duas viagens foram seguramente a causa da primeira restauração, já em 1878. Ainda hoje o transporte e o manuseio de obras de grandes dimensões estão entre as principais causas de danos”, afirma o curador da exposição, Pedro Xexéo.

Com o objetivo de contextualizar a produção e o restauro dessa grande obra, o curador dividiu a exposição em três segmentos, tendo como núcleo central a exibição do quadro complemente recuperado. Os outros dois segmentos apresentam painéis fotográficos coloridos que mostram todas as etapas do processo de restauração e a parte histórica com um resumo preparado por Xexéo sobre “como foi pintada a obra”. O segmento histórico é enriquecido pela série de desenhos para figuras e objetos que estão representados na pintura. “Naquela época, geralmente, os artistas começavam as suas obras pelos desenhos. Faziam os estudos preparatórios e somente depois é que começavam a pintar.”
 

Restauro

Para restaurar o quadro, a equipe do Museu Nacional de Belas Artes contou com o apoio do Laboratório de Instrumentação Nuclear da COPPE/ UFRJ, que identificou a paleta usada pelo pintor através da fluorescência de raios X e registrou a alteração das dimensões da obra e os danos de suporte através da radiografia digital. O trabalho de restauração teve início no ano passado e foi concluído há cerca de um mês.

Além dos exames, e antes de qualquer intervenção, A Primeira Missa foi dividida em 108 quadrantes para facilitar a localização dos dados. As fotos foram feitas com luz natural, tangencial, ultravioleta e infravermelho.

A pesquisa documental indicou também que a tela deve ter sido molhada no porão do navio que a trouxe de volta ao Brasil após a exposição na Filadélfia. O relatório da chegada, assinado pelo restaurador Vasco Mariz e pelo próprio Victor Meirelles, diz que um terço do quadro estava danificado: havia um furo no centro, a pintura estava mofada e a tela enfraquecida.

Segundo ele, é um bom exemplo de como na restauração, a história, a química e a física se complementam para guiar a intervenção na obra. E foi somente após o registro e entendimento desses dados é que se começou a intervenção.

Em 1921, uma comissão avaliou o estado da obra que seria o destaque da Exposição Universal, comemorativa do centenário da Independência, no Rio de Janeiro. A equipe se decidiu por uma completa e perfeita reentelação, devido às péssimas condições em que estava. Quarenta anos depois, em 1969, o professor Edson Motta fez um novo restauro. Em 2000, a obra foi retirada do circuito de exposição do MNBA (Museu Nacional de Belas Artes) devido ao seu estado precário. No ano passado, com o patrocínio do BNDES, A Primeira Missa No Brasil começou a ser restaurada e, finalmente, é devolvida ao público.


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