Museu Oscar Niemeyer
 
 
 
 

Conhecido e reconhecido, no Brasil e no exterior, pela execução de grandes murais e painéis, Poty Lazzarotto (1924-1998, Curitiba) deixou em sua vasta produção uma excepcional coleção de gravuras. Em exibição há 97 gravuras que integram essa coleção, hoje sob os cuidados da Fundação Cultural de Curitiba, com a qual foi realizada a parceria para a realização desta mostra.

Porém, antes de recuperar a memória da importante obra legada por Poty, é preciso lembrar o início de tudo. O “Vagão do Armistício”, um restaurante freqüentado por políticos e intelectuais, instalado no quintal da casa da família Lazzarotto, no bairro Capanema, foi um marco decisivo para a bem sucedida trajetória do artista curitibano. Foi lá que o interventor Manoel Ribas conheceu o talento do jovem Poty, que ganhou uma bolsa de estudos. Na Escola Nacional de Belas Artes, Poty recebeu sua primeira premiação, a Medalha de Bronze em Pintura no Salão Nacional, em 1942. Logo despertou o interesse pela gravura e não parou mais.

Ele ilustrou contos e crônicas. Entre 1946 e 1948 fez ilustrações para a revista paranaense “Joaquim”, editada por Dalton Trevisan, para jornais e publicações paulistas, cariocas e para obras de escritores consagrados, como Guimarães Rosa, Dinah Silveira de Queiroz, Jorge Amado, Euclides da Cunha e José de Alencar. Como bolsista do governo francês, na École de Beaux Arts, de Paris, estudou litografia e viajou pela França, Espanha e Itália, absorvendo influências européias.

De volta ao Brasil, já consagrado como um dos pioneiros da gravura brasileira, Poty organizou um Curso de Gravura em São Paulo, Salvador e Recife, realizando um grande trabalho de divulgação e aperfeiçoamento dessa técnica. E foi com a gravura que o curitibano participou das três primeiras Bienais de Arte Moderna de São Paulo, de 1951 a 1955.


Nos anos de 1950, ele começou a se especializar na execução de murais, utilizando temáticas universais, como o registro de fatos cívicos, nacionais, acontecimentos da vida política, econômica, social e do cotidiano das cidades. “Poty criou um verdadeiro arquivo visual da história e da evolução tecnológica do homem”, afirma a crítica de arte Nilza Procopiak. São de sua autoria inúmeros painéis e murais em edifícios públicos e particulares do país e até na França, onde ele executou, em madeira gravada, o mural para a Casa do Brasil.

Espaços públicos de Curitiba e de outras cidades do Paraná foram privilegiados pelo grande número de obras deixadas pelo artista. Em Curitiba destacam-se o “Monumento Comemorativo ao 1o. Centenário da Emancipação Política de Estado do Paraná”, obra realizada em azulejo na Praça 19 de Dezembro; “São Francisco” e “Paraná”, no Palácio Iguaçu ; “Assembléia” e “Símbolos do Paraná”, um em concreto e outro em madeira e cobre na Assembléia Legislativa do Paraná ; e dezenas de outros. Vale lembrar ainda a obra ”O Trabalho Humano e a Evolução Tecnológica“, feita em azulejo no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná ; e “Desenvolvimento de Curitiba”, na Praça 29 de Março.


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