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Profissional reconhecido em mostras de arte, festivais
de fotografias, bienais, em eventos nacionais e internacionais,
Orlando Azevedo (1949 –Açores, Portugal)
exibe nesta exposição parte do acervo
documental que produziu durante sua expedição
pelo interior do Estado. São 200 imagens que
retratam os principais flagrantes da Expedição
Coração do Paraná. A maior
parte das fotos, um grande conjunto de 1mx1m e outro
em tamanho de 30x40, são em preto e branco, apenas
20 delas são coloridas.
Em busca do “antigo sonho de dar voz ao interior
através da fotografia, ao mergulhar em sua identidade,
personagens anônimos, paisagens, crenças
e ritos”, Azevedo percorreu mais de 17 mil quilômetros,
passando por mais de 100 municípios paranaenses,
entre o final do ano passado e o início deste
ano.
“É no interior que ainda encontramos a
verdadeira identidade de nosso Estado. Sua marca e sua
cara. Embora as mudanças sejam de invulgar e
implacável rapidez em sua ação,
há um Paraná que resiste e mantém
sua paisagem e suas origens como verdadeiros oráculos
perdidos no tempo.” Durante a viagem, ele disse
ter encontrado lugares onde ainda é possível
apreciar paisagens do século passado, em que
o tempo “parece cristalizado, felizmente”.
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Entre
negativos, cromos e filmes 6x6, o fotógrafo realizou
mais de sete mil fotos. Nenhuma imagem da exposição
foi realizada com equipamento digital. Toda a documentação
fotográfica foi produzida com câmeras analógicas
e as cópias processadas em papel de fibra Ilford
Mate selenizado, conforme as normas e exigências
museológicas internacionais. “Na realidade,
a máquina e o filme estão para o fotógrafo
da mesma forma que estão a paleta, o pincel e
a tela para o pintor. Ainda não abro mão
de apresentar a imagem sem nenhum tratamento. A imagem
apresentada é aquela que eu vi pelos meus olhos.”
Para colocar a expedição na estrada, tudo
foi preparado com meses de antecedência. Segundo
Azevedo, todo o roteiro, desde o percurso até
o tipo de equipamento a ser utilizado, foi feito a partir
de pesquisas históricas e biográficas.
A Expedição Coração
do Paraná é derivada do projeto Coração
do Brasil, realizada entre 1999 e 2002 e apresentada
nos principais museus do País. Nesse projeto,
o fotógrafo percorreu mais de 70 mil quilômetros
em todo o Brasil, para revelar, sob a sua ótica,
o Homem, a Terra e o Mito.
"Considerava esse percurso inacabado diante de
tantas artérias, novos caminhos e temas a serem
abordados. Senti a necessidade de ir ao interior do
meu estado, onde vivo há mais de 40 anos, para
fazer uma releitura do nosso patrimônio natural
e humano. Acredito que é no interior que encontramos
nossas verdadeiras raízes.”
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| A
Mostra |
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Assinando
a curadoria da própria mostra, Azevedo preparou
uma ambientação especial para conduzir
o público pela exposição. Um labirinto
que, ao início, faz com que o visitante se depare
com um auto-retrato, a imagem do fotógrafo projetada.
“Eu fotografo o outro para me revelar e me descobrir
e, ao fotografar o outro, fotografo a mim mesmo.”
Já na entrada, o espectador será surpreendido
ao penetrar em um túnel Olho no Olho para se
ver refletido em um espelho que o conduz a uma sala
escura, onde será fotografado. A foto 3x4 será
processada automaticamente e deverá ser afixada
pelo próprio visitante em um grande painel com
o mapa do Paraná, que ao final se constituirá
no Memorial da Identidade.
A partir desse ponto, estão as obras produzidas
durante a expedição e apresentadas em
quatro salas temporariamente construídas no interior
de uma das salas expositivas do Museu. Ao primeiro ambiente,
Azevedo deu o nome de Saga. “Saga porque
apresenta o relato, a voz e o grito desses personagens
anônimos, que para mim são os verdadeiros
heróis da resistência e da sobrevivência.”
De acordo com ele, o conjunto de 40 grandes quadros
suspensos, de 1mx1m, pretende estabelecer a leveza em
relação ao restante do conjunto da mostra.
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Casulo
tecido da fé é o ambiente que apresenta
a relação entre o interior, a casa e o
trabalho. Aprofundando a visão, o fotógrafo
reservou para o núcleo denominado de Celebração
a festa, a ritualidade, o fandango, a celebração
da mata, da vida e dos mistérios. Retrato
Abstrato é título do quarto ambiente,
que apresenta a interpretação subjetiva
da viagem pelo próprio autor.
Permeando toda a exposição, Azevedo expõe
o que ele chama de “relicários da viagem”.
São objetos, retratos e cenas que ambientam e
compõem algumas situações que lhe
chamaram a atenção. Entre essas atrações
está a personagem de um de seus retratos, uma
jovem de Cruz Machado, um dos grandes redutos da colônia
polonesa no Paraná, que virá para a abertura
da exposição cantar músicas do
folclore polonês. Também o quadro singelo
pintado por um menino, de 11 anos, de Superagüi;
e alguns livros de anotações das antigas
fazendas de café, entre outros.
“Acredito que nunca o patrimônio humano
e natural do Paraná foi tão exposto aos
próprios paranaenses. Passando por cachoeiras
gigantes, cânions, fazendas e cavernas, encontrei
autênticos personagens para ampliar meu acervo
documental sobre a memória e a história
preservadas no interior do Estado.”
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