Cruz Velacuy en Quillabamba - Cuzco, 1929   Boda de Don Julio Gadea - Cuzco, 1930
 
A “escolha perfeita” da luz, a composição e os enquadramentos, diferentes do que eram utilizados pelos fotógrafos da época, caracterizam a linguagem própria criada por Martín Chambi (1891-1973), que passou a ser chamado de “o poeta da luz”. As cores utilizadas nas cópias, além do preto e branco, matizes de cinza, sépia, bege, tonalidades de vermelho e azul compõem a atmosfera da estética, da fotografia-arte de Chambi.   

Apontado como o primeiro fotógrafo indígena latino-americano e o primeiro a registrar Machu Picchu, só descoberta em 1911, Martín Chambi entrou mundialmente para a história como fotojornalista. Porém, suas fotografias remetem às obras de Rembrandt e Caravaggio. Construiu – em mais de 30 mil negativos – a história fotográfica e o patrimônio imaterial do povo peruano, imprimindo orgulho e dignidade à sua gente. A argentina Leila Makarius assina a curadoria da exposição, que reúne 88 fotografias em preto e branco, produzidas por Chambi entre os anos 1920 e 1940.

Chambi retratou a vida do povo indígena peruano – quéchuas e aymarás, principalmente – sem apelar para a exploração exótica da vida indígena, normalmente abordada. Nesse período, o país passava por grandes transformações econômicas com a exploração do ouro. Também de origem indígena, o fotógrafo revelou os segredos mais íntimos da vida andina sem desrespeitá-la. Ao mesmo tempo em que fotografava para importantes revistas, todos reconheciam o caráter artístico e etnográfico de seu trabalho.

Autoretrato, 1935 Dr. Luis Pareja y señora, 1923 Víctor Mendívil con el gigante, 1925

 

A trajetória do artista

Martín Chambi nasceu em Coasa, no Peru, às margens do lago Titicaca, em 1891. Começou a trabalhar como assistente de fotógrafo na mesma mineradora onde seu pai trabalhava, a Santo Domingo Mining Co. Mas foi em Arequipa, ao sul do país, onde aprendeu as principais técnicas de fotografia, com Max T. Vargas, em 1908.
No final de 1917, mudou-se para Canches e, ao lado da mulher, Manuela, e dos filhos Célia e Víctor, montou seu primeiro estúdio. Em Canches nasceu a única filha que seguiu a profissão do pai, Julia Chambi. Atraído pelo esplendor e pela história da antiga capital inca, o fotógrafo se mudou para Cusco, em 1920. Lá, fotografou a vida do povo peruano: dos camponeses à alta burguesia da cidade, em festas populares, reuniões familiares, casamentos e desfiles militares.
Em Cusco, trabalhou para diversos diários locais e, posteriormente, para o La Nación, de Buenos Aires, entre 1918 e 1930. Publicou suas fotografias na revista National Geographic, no final dos anos 1930. Chambi viveu na antiga capital inca até sua morte, em 1973. Seis anos após sua morte, o filho Victor Chambi e o fotógrafo americano Edward Ranney catalogaram milhares de fotografias do artista. O acervo foi levado para uma exposição em Nova Iorque, em 1979, o que consagrou internacionalmente o trabalho de Martín Chambi.