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| Um
dos expoentes da arte moderna e contemporânea, Maria
Bonomi é sinônimo de gravura no País.
Apontada entre ícones como Oswaldo Goeldi (1895-1961),
Lívio Abramo (1903-1992) – seu grande mestre
– e Fayga Ostrower (1920-2001), Bonomi é uma
das principais artistas a manter viva a tradição
da gravura no Brasil.
Com 71 anos e uma vitalidade invejável, ao longo de
mais de 50 anos de trabalho, a artista construiu um respeitável
conjunto de obras. Em incessante processo de produção,
Maria Bonomi reúne xilogravuras, litogravuras e gravuras
em metal, além de assinar grandes painéis, esculturas,
instalações, pinturas, figurinos, cenários
e obras públicas, cada vez mais numerosas. Para esta
mostra, o curador Francisco Bosco, junto com Bonomi e sua
equipe, selecionou peças que representam todas as fases
de trabalho da artista. Entre elas estão xilografias,
litografias e calcografias, esculturas em alumínio,
latão e bronze, instalações e projeções
de arte pública. Os projetos de arte pública
da gravadora têm significado especial dentro de sua
produção: marcam todo sentido cívico
e social que a artista imprime em sua obra.
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| “A
proposta da exposição é passional, fico
agindo como voyer de mim mesma, externa ao meu percurso. Portanto,
me ocupo das “cenas mais picantes”, das imagens
que foram elaboradas em circunstâncias temáticas
profundamente inseridas em seu momento de feitura. Enfim, é
uma seleção da produção feita ao
longo da carreira em que não se escolhe algo pela repercussão
que teve, mas pela dinâmica incontida até hoje”,
explica Bonomi. A artista complementa que “assim segue-se
o fio condutor do inesperado, porque sempre foi ele quem falou
mais alto. A mensagem seria a de que meu processo de criação
sempre pertenceu ao fazer, ao viver e ao sentir. Com prazer.
Todas as intuições redirecionais e os ingredientes
presentes são sempre de viés”. |
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As
obras
Maria Bonomi, que já participou
de mostras coletivas e teve uma individual em Curitiba,
entre 1980 e 2000, apresenta agora algumas peças
totalmente desconhecidas do público curitibano.
Entre as obras há grandes xilografias –“Tetraz”–,
já apresentadas na China, na Europa e nos Estados
Unidos; além de uma instalação premiada
na Trienal de Gravura, em Praga, em 2001. Bonomi chama
a atenção para a série de metais
gravados e fundidos, como “Layers of Love”,
que estão suspensos na montagem e constituem uma
das principais atividades a que tem se dedicado nos últimos
anos.
“Acredito
que possam ser destacadas também algumas gravuras,
que estranhamente estiveram ausentes em outras mostras,
até de pequenas tiragens, as que têm a primazia
do ‘anúncio’. São aquelas que,
como “Gengivas à mostra”, são
provocações incipientes que iniciam fases
depois mais conhecidas.” E como fio condutor de
toda sua obra está a dimensão social da
arte. Ela diz que sempre se interessou pelas questões
documentais e políticas e que “somente a
arte pode protagonizar a intensidade dramática
da nossa vida. Sua dimensão social e cívica
pode discutir questões éticas e, ao mesmo
tempo, ligar a imagem a uma visibilidade de emoção”.
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Por
isso, Bonomi é inquieta em sua arte, está sempre
buscando agregar conhecimento e, sobretudo, “vivências
dentro da obra”. “A prática em arte precede
a teoria. É uma grande busca resultante em um trabalho
duro para descobrir como provocar reações espontâneas
e experiências intermináveis. Os materiais me
fazem perguntas e eu faço também perguntas aos
materiais que uso; correspondo e questiono. Há um diálogo
em sintonia com a matéria e sua ‘ação’.
Busco a clareza, mas nunca contei com uma obra pronta; não
tenho uma obra finita. O que estou apresentando faz parte
de um processo contínuo. A percepção
do infinito está dentro de nós.”
Percepção que a gravadora tem marcado também
seus grandes projetos de arte pública, que para ela
é muito “gratificante” pelo retorno que
recebe do público. “As obras de arte pública
se encontram em diversos lugares muito ou pouco conhecidos,
mas bastante freqüentados e que, quase sempre, retiram
da indiferença os transeuntes. (...) A arte não
é conciliatória; ela é a busca do equilíbrio
na instabilidade.”
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