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Luiz
Carlos de Andrade Lima (1933-1998) usou as cores para pintar
os mais diversos temas, com ênfase para os religiosos
e os sociais. São figuras do povo, gente simples
das ruas e praças, figuras de Cristo, de São
Francisco, dos bares e das mulheres da noite curitibana.
Por isso, ficou conhecido como o “cronista de Curitiba”.
“Vejo arte em tudo e pinto com meu subconsciente”,
declarou o artista em entrevista a uma revista da época.
A
exposição apresenta cerca de 70 obras, pinturas
e desenhos, da década de 50 à década
de 90. Na seleção feita pela curadora Nilza
Knechtel Procopiak, está desde a primeira obra realizada
pelo artista como profissional –“/Flores/”,
de 1950, até um dos últimos trabalhos -“/O
artista no bar/”, de 1996. A maior parte do acervo
pertence à viúva Maria Lúcia de Andrade
Lima. São obras, muitas inéditas, que o artista
mantinha em trainéis no atelier de Curitiba.
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A curadora ressalta que esta é
uma “oportunidade única” para os apreciadores
e estudantes de arte, principalmente da nova geração,
conhecerem os desenhos e as pinturas do artista. “A
totalidade de sua obra é proveniente do trabalho
solitário, de uma personalidade teimosa que lutou
para impor seus pontos de vista, principalmente por se manter
fiel ao figurativo em uma época de tantos modismos
em arte abstrata e conceitual. E o resultado dessa tenacidade
é que, a cada dia que passa, sua obra não
só se valoriza mais como serve de exemplo aos artistas
mais jovens que, paradoxalmente, estão pintando e
revitalizando o figurativo”, afirma Procopiak.
Segundo ela, ocorreu uma corrente
expressionista no Paraná, principalmente depois da
chegada em Curitiba de Guido Viaro. No entanto, para a curadora,
Viaro pode ser considerado “muito mais o iniciador
do Modernismo no Estado”, enquanto Andrade Lima, que
foi aluno de Viaro, acabou divergindo mais para Di Cavalcanti,
Cícero Dias e, às vezes, para Toulouse-Lautrec.
“Da confluência destes artistas é que
nasceu a parte mais vibrante da obra de Luiz Carlos de Andrade
Lima, registrando um aspecto mais mundano, menos curitibana,
pintada e desenhada muito mais no desejo de se alcançar
uma equivalência ao calor e acolhida do Rio de Janeiro
do que à realidade da fria geada que existia, na
época, em Curitiba.”
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A
trajetória do artista
Luiz
Carlos de Andrade Lima nasceu em Curitiba, em 1933,
e aqui faleceu em 1998. Ele foi pintor, desenhista,
gravador, escultor, ilustrador, poeta e, como artista,
“foi quem mais captou a alma de Curitiba”,
diz a curadora da exposição Nilza Procopiak.
O artista teve seus primeiros contatos com o desenho
e a pintura por volta dos oito anos de idade. Ainda
jovem, foi discípulo de Guido Viaro, na Escolinha
de Arte do Colégio Estadual do Paraná.
Logo após o segundo grau, começou a
dedicar-se profissionalmente à pintura.
Fez
o curso de pintura na Escola de Música e Belas
Artes do Paraná (EMBAP), graduando-se em 1957.
No ano seguinte, em 1958, realizou a sua primeira
exposição individual, patrocinada pelo
Círculo de Artes Plásticas do Paraná,
no Salão de Exposições da Biblioteca
Pública do Estado. Estudou perspectiva e composição
na pintura e baixo-relevo em 1961. Em 1963, estagiou
na Fundação Armando Álvares Penteado,
em São Paulo, tendo como mestre e orientador
o gravador Marcelo Grassmann.
Com
experiência em litografia, gravura em metal
e xilogravura, o artista retornou para Curitiba e
aqui, em 1968, fez licenciatura em Desenho, na Universidade
Católica do Paraná (PUC-PR). Nesse período,
iniciou suas atividades como professor de paisagem
e desenho na EMBAP, função que exerceu
até 1983. Em 1978 foi nomeado diretor da Escola
de Arte Alfredo Andersen, hoje Museu Alfredo Andersen,
onde também foi orientador do Curso Livre de
Pintura.
Dois
anos mais tarde, em 20 de março de 1980, ele
fundou a Andrade Lima Galeria e Escola de Arte, onde
passou a dar aulas. A instituição funcionava
em três endereços: no Batel e no Boqueirão,
além da sede campestre de Ferraria, em Campo
Largo (Região Metropolitana de Curitiba), onde
dava aulas de paisagem. Entusiasmado com a arte religiosa,
o artista pintou, em 82, as 14 estações
da “Via Sacra” e ofereceu à Igreja
da Ordem Terceira de São Francisco de Chagas,
em Curitiba.
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| Mostras
Ao
longo da carreira, Andrade Lima realizou mais de 20 mostras
individuais, “na maioria das vezes xibindo um grande
número de obras inéditas, quando não
a totalidade”. Entre as principais estão as exposições
realizadas na Galeria Copacabana Palace (RJ), em 68; na Escola
de Artes Fritz Alt (SC), em 69; no Museu de Arte Contemporânea
do Paraná, em 72; no Museu Guido Viaro, em 86; na PUC-PR,
em 90; no Museu Alfredo Andersen, em 92; e no Museu de Arte
do Paraná, em 99.
“Com
uma trajetória brilhante na arte paranaense, Andrade
Lima também conquistou dezenas de prêmios”,
afirma a curadora. Ela destaca o primeiro prêmio, em
1957, com a Menção Honrosa em Pintura, no I
Salão de Artes Plásticas para Novos, e o Prêmio
Distinção Especial Aquisição,
em 1989, no II Salão Nacional de Arte Religiosa da
PUC-PR.
Em
1993, o artista foi agraciado com o Prêmio Cidade de
Curitiba 300 Anos – Melhor Pintor e, no ano seguinte,
recebeu sua consagração máxima, sendo
homenageado pelo Governo do Estado como Cidadão Benemérito
do Paraná, em agradecimento à sua obra como
artista e mestre. |
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