Árvores construídas pela arte invadem o extenso jardim frontal do Museu, em sua arrojada arquitetura de Niemeyer. São 37 obras em bronze, vidro e aço, enferrujado e policromado, produzidas nos dois últimos anos pela artista plástica Elizabeth Titton, nascida em São Paulo e radicada em Curitiba desde os 8 anos.

Como sugere, o grande tema da exposição é a natureza, daí a justificativa dos títulos das obras: “Árvore da Palmeira”, “Árvore das Frutas”, “Árvore da Neve” e assim sucessivamente, em trabalhos de médio e grande porte, de 2m a 6m. Exceção apenas para a “Árvore Kaciana”, uma homenagem especial de Titton a outros dois artistas. A inspiração para a construção da série vem de fragmentos da memória de infância. “São reminiscências da infância, até as formas e o desenho, de design simples, remetem aos traços da infância. É a minha mitologia pessoal, na busca de uma arte única. Não estou preocupada em fazer arte de internet, busco a originalidade que só vou encontrar na minha essência. Quanto mais essencial mais universal.”

Titton ressalta que outra questão que levanta é o uso da produção industrial na construção de uma linguagem poética e romântica. “Acredito que é um contraponto interessante. Utilizo o processo industrial, com trabalho a laser, mas que tem como objetivo a obra de arte.”
 

Interação

A “Árvore Kaciana”, destaque da mostra, propõe um diálogo sobre a arte clássica e a arte contemporânea. Com seis metros de altura, a obra, construída em aço enferrujado e policromado nos laços pintados de cor-de-rosa, é composta por outros dois elementos que a diferenciam: a escultura de uma bailarina e um coelho verde, posicionados em um deck de madeira abaixo da escultura.

Segundo a artista, a bailarina faz um paralelo com a conhecida obra “Bailarina de 14 anos” do artista francês Edgar Degas, que ficou conhecido por seus desenhos e esculturas de bailarinas. Já o coelho é uma homenagem a Kac, artista brasileiro que vive em Chicago (EUA) e que trabalha com a chamada arte biológica. “Tenho grande admiração por esses artistas e muitas pessoas não entendem muito até que ponto um coelho verde é arte e o que é arte. O que é arte contemporânea? É sempre uma discussão permanente.”

Com a intenção de promover essa reflexão e diálogo, a artista propõe ao público a interação com a obra. A escultura da bailarina possui uma abertura pela qual o visitante pode colocar o rosto para fazer fotos. Alternadamente, até o final da mostra em novembro, a escultura será substituída pela presença real de uma bailarina e o coelho de pelúcia por uma pessoa vestida de coelho. Os personagens reais não atuarão conjuntamente, farão performances separadas, meio período estará a bailarina e na outra parte do dia o coelho.




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