Museu Oscar Niemeyer
 
 

Guache, crayon e grafite sobre o papel

Guache e nanquim sobre o papel

Paul Garfunkel (Fointanebleu – 1900, Curitiba –1981) veio da França para o Brasil, fixou-se em Curitiba, nos anos 1920, e aqui o engenheiro de formação tornou-se pintor, por vocação. O pintor fez a rota contrária de muitos artistas modernistas da época. Para ele, a arte era essencialmente simples, era apenas uma "questão de sensibilidade, de transmissão de sentimentos, de diálogo de amor". Com o patrocínio da COPEL, Compagas e do BRDE e o apoio do Ministério da Cultura, Governo do Paraná e CAIXA, nesta exposição, o público poderá apreciar, em 199 obras, o apuramento da sensibilidade do artista autodidata, em esboços, desenhos, pinturas e aquarelas.

Óleo sobre o papel

Pastel sobre o papel

Perspicaz cronista da vida cotidiana, os especialistas afirmam que Garfunkel registrava o efêmero ou a "primeira impressão das coisas". Por ocasião de sua mostra no MASP (Museu de Arte de São Paulo), em 1966, disse ao colunista Quirino da Silva que vivia de "olhos abertos para o mundo exterior", procurando flagrantes que lhe despertasse "uma emoção sensorial", em formas, movimentos e cores. "Para tal fim, não existe coisa melhor que o caderno de croquis e a caixinha de aquarelas."

Em 1969, o reconhecido escritor e crítico de arte José Geraldo Vieira escreveu sobre o "desenho nervoso e rápido, incisivo" do engenheiro artista. "Vejo em Garfunkel o continuador de dois franceses mestres no croquis: Derain e Dufy." Anos depois, em 1983, também conquistou a atenção crítica de Pietro Maria Bardi: "A espontaneidade no ver e desenhar figuras e casos ocorridos, o vibrar face o imediato e cordial, o combinar signos, cores, atmosfera, é a intuitiva expressão desse artista. Observa, anota tudo quanto lhe interessa, transcrevendo no papel os fatos: emoção, rapidez e certeza". Nesse exercício incessante, o desenho tornou-se constante na vasta produção de Garfunkel.

Guache, nanquim e grafite sobre o papel

Guache, nanquim e grafite sobre o papel

Apontado como um dos principais intérpretes do impressionismo no Paraná, o artista registrou ainda, em óleos e aquarelas, paisagens, festas, pessoas do povo e cenas de ruas. Temáticas pelas quais se poderá constatar a paixão do artista por Curitiba, pelo Brasil. A tal ponto que, em 1958, Garfunkel escreveu sobre "seu" navio "(...) Adeus, Massilia, que nos trouxe ao Brasil já faz trinta anos. Estávamos cheios de ilusões e fazíamos belos sonhos sobre o futuro. O Massilia não mais existe, nossas ilusões estão mortas. Mas o Brasil nos agarrou e guardou, estranho e belo país, irritante e envolvente como uma insuportável amante, por demais amada." Fazer uma retrospectiva desse marcante trajeto é a proposta da comissão curatorial, composta por Armando Merege, Luca e Mônica Rischbieter.

 


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