Obra

Acervo Museu Oscar Niemeyer

artistas: Mostra Coletiva
curador: Equipe Técnica do Museu
nº de obras: 146
local: Olho

Com uma seleção de 146 trabalhos, esta nova montagem do acervo do Museu Oscar Niemeyer apresenta obras de artistas representativos na história da arte no Paraná e no cenário brasileiro e internacional. Logo ao início da mostra são exibidas obras dos quatro artistas de grande significação para o desenvolvimento da arte no Estado: Alfredo Andersen (Christiansand, Noruega 1860 – Curitiba, PR 1935), Guido Viaro (Badia Polesine, Itália 1897 – Curitiba, PR 1971), Theodoro De Bona (Morretes, PR 1904 – Curitiba, PR 1990), e Miguel Bakun (Marechal Mallet, PR 1909 - Curitiba, PR 1963). Destaque para a obra de Arthur Nisio (Curitiba, PR 1906 – 1974), intitulada “Chegada de Zacarias de Góes e Vasconcelos”, que permaneceu em exposição no Palácio Iguaçu por décadas e foi restaurada, no Museu Oscar Niemeyer, para ser exibida especialmente nesta exposição.

Andy Warhol, Beatriz Milhazes, Cícero Dias, Daniel Senise, Di Cavalcanti, Flávio Shiró, Iberê Camargo, José Pancetti, Kasuo Wakabayashi, Siron Franco, Tarsila do Amaral e dezenas de outros estão entre os artistas de projeção nacional e internacional. “O acervo é o patrimônio deixado ao público, às futuras gerações.”A afirmação é da secretária especial do Governo do Estado do Paraná para Coordenação do Museu Oscar Niemeyer, Maristela Quarenghi de Mello e Silva, que mantém como meta a permanente exibição, conservação e ampliação da coleção, desde que assumiu a gestão do Museu.

Organizada pela equipe técnica do Museu, a exposição tem como objetivo apresentar uma amostragem da arte brasileira e paranaense ao longo do século 20. Uma amostragem que inclui arte figurativa e abstrata, com a exibição de trabalhos em todas as técnicas, pintura, gravura, desenho e escultura. Entre as 2,2 mil obras, aproximadamente, que constituem a coleção de acervo do Museu, foram escolhidas aquelas de maior apuração técnica, de domínio do pincel e de maior expressão do artista.

Os organizadores não privilegiaram momentos, artistas ou tendências, apenas buscaram refletir o que há no acervo. Um exemplo desse enfoque é a grande coleção de gravuras de Rossini Perez, artista do Rio Grande do Norte, que trabalhou por longo período no Rio de Janeiro e foi muito importante no cenário artístico entre os anos 1960 e 1980. Em quantidade é o artista com maior número de obras nesta mostra de acervo. Também merecem destaque os três trabalhos adquiridos recentemente de Antônio Poteiro, Djanira e Andy Warhol. Representativos na história da arte brasileira, Poteiro e Djanira registraram em suas obras a alma da cultura popular brasileira. Enquanto, a grande gravura (1m x 1m) de Warhol expressa o trabalho de um dos participantes mais ativos da Pop Art americana. De volta ao Paraná, a obra de Antonio Parreira, artista fluminense, datado de 1920, retrata, em uma grande tela (2,70m x 1,60m), as Cataratas do Iguaçu, um dos roteiros turísticos mais conhecidos do Estado.

Restauro Nísio

A obra do paranaense Arthur Nísio – “Chegada de Góes e Vasconcellos” – retrata a emancipação política do Paraná, em 1853, com a chegada do primeiro presidente da província, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Com riqueza de detalhes, Nísio registrou o encontro das autoridades e do povo. Estima-se que a pintura foi produzida entre o final da década de 1940 e 1950. Como um patrimônio do Estado, a obra permaneceu exposta no Palácio Iguaçu desde a inauguração daquele prédio, na década de 1950. Pelo longo tempo de exibição, estava em precário estado de conservação. A pintura estava escurecida por sujidades e apresentava desprendimento da camada pictórica, oxidação do verniz e manchas d’água no verso, entre outros problemas.

Para ser reapresentada nesta mostra de acervo, foi restaurada, no Museu Oscar Niemeyer, em tempo recorde, entre novembro e dezembro de 2008. A grande dimensão da tela (4,30m x 6,76m) exigiu que a pintura fosse dividida em 28 quadrantes. Como a obra não pode ser riscada, o processo de divisão da tela foi planejado graficamente. Um barbante foi utilizado como guia para que cada pequeno quadrado recebesse os tratamentos necessários. Para detectar os problemas e descobrir o processo de pintura utilizado pelo artista, antes, a pintura passou por análises com luz natural, ultravioleta e rasante. E também pela análise com lupa. Com o diagnóstico em mãos, foi iniciada a limpeza.

Na primeira etapa foram removidas as sujidades acumuladas e as partes com a pintura em descolamento. Na fase seguinte, foi realizado o nivelamento, ou preenchimento das lacunas, e a reintegração da pintura. A técnica utilizada na obra de Nísio foi o pontilhismo, que consiste no preenchimento com pontinhos, um ao lado do outro. A técnica produz uma ilusão de ótica que, sem se sobrepor, integra-se às pinceladas originais do artista.

A limpeza do verso exigiu ação manual. Foi utilizado pó de borracha plástica em movimentos circulares para que a sujidade impregnada se soltasse. Para não produzir vinco na face da pintura, as bordas foram reforçadas com um tecido de linho desfiado e fixado com o auxílio de filme termo adesivo. Devido ao tamanho, a obra foi levada enrolada para o local em que seria exibida e, somente na sala expositiva, recebeu novo chassi –quadro de madeira que sustenta a tela esticada – e ganhou nova moldura. O restauro estava concluído e a obra histórica de Nísio pode, novamente, ser apreciada pelo público.