Obra

Narrativas em Processo - Livros de Artistas na Coleção Itaú Cultural

curador: Felipe Scovino
local: Sala 1

Museu Oscar Niemeyer realiza exposição com obras da coleção Itaú Cultural

A mostra reúne “Livros de artista” e busca expandir o conceito do livro enquanto objeto

O Museu Oscar Niemeyer (MON) apresenta a exposição “Narrativas em Processo: Livros de Artista – Coleção Itaú Cultural”, na sala 1. Com curadoria de Felipe Scovino, a mostra reúne trabalhos que expandem o conceito e a forma de um objeto mágico – o livro – para muito além do que o público está acostumado.

A exposição se propõe a investigar as diferentes relações que podem ser estabelecidas entre objeto e artista. Com foco na criação brasileira, explora 150 anos desse tipo de produção. Dividida em oito núcleos, inicia com obras de Angelo Agostini (1843 –1910), desenhista que se dedicou a caricaturas e charges durante o Segundo Reinado. Há também referências ao design gráfico, literatura, poesia concreta, livro-objeto e mais.

O curador Felipe Scovino ressalta que, enquanto obra de arte, o livro de artista extrapola a perspectiva comum do objeto livro. “As narrativas transbordam novas interpretações, entre as quais destacamos dois pontos de vista. O primeiro, da pluralidade de ações e das relações não só com a literatura e as artes visuais, mas com o design, a política e, em alguns momentos, a música; o segundo, de uma leitura que não se esgota, que se desdobra redefinindo o papel do próprio livro, do leitor e do artista”, analisa.

Núcleos:

1. ANGELO AGOSTINI

Angelo Agostini (1843-1910) foi responsável por diversas publicações sarcásticas e dedicou-se à produção de caricaturas e charges das quais ninguém estava a salvo, desde as eminentes figuras políticas até a burguesia, que em certa medida vislumbrava, ou ao menos discutia, direções republicanas, mas ainda guardava laços profundos com o regime escravocrata.


2. DESIGN GRÁFICO: CAPAS E ILUSTRAÇÕES AO LONGO DA HISTÓRIA
A mostra possui também um caráter historiográfico e narrativo ao exibir as capas e as mais diversas ilustrações para livros em tiragem limitada feitas por artistas plásticos. Essas invenções igualmente estabelecem um campo de exercício e prática para que o artista desenvolva sua poética.

3. CEM BIBLIÓFILOS
A Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil (1943-1968) dedicou-se à publicação de importantes obras da literatura brasileira ilustradas por artistas consagrados. São edições especiais nas quais o processo de ilustração cria um vínculo irrestrito com a narrativa, enfatizando ora o caráter dramático, ora o acento romântico dessas histórias.

4. ÁLBUNS DE GRAVURA
Obras de artistas plásticos que tiveram atuação determinante na passagem do moderno ao contemporâneo no Brasil. Fica claro nos álbuns como esses artistas fundaram as bases do abstracionismo, por um lado, e, por outro, as percepções multifacetadas sobre o tema da paisagem.

5. LIVROS-OBJETOS

Desde meados dos anos 1950 no Brasil, os poetas concretos experimentavam a ação, a sonoridade e a espacialidade da palavra para além da página. O livro começa a tomar uma forma escultórica, na qual a palavra alcança a tridimensionalidade e passa a ter volume e densidade.

6. RASURAS
Uma escrita que nasce para não ser compreendida, que é oferecida ao mundo com certo grau de violência e gestualidade. A palavra, em alguns casos, transborda para uma relação profana entre imagem, narrativa e sexualidade.

7. PAISAGENS
Livros que revelam uma aspiração ao tátil. Transmitem a ideia de uma textura que equivaleria, guardadas as diferenças, à pesquisa pictórica, pois está ali uma superfície vibrátil criada numa fusão entre as cores, as formas e as imagens reveladas por essas obras.

8. UMA ESCRITA EM BRANCO
 Esta seção tem duas vertentes: livros em que a palavra está em suspenso e o que se destaca é a materialidade do suporte; e a construção de narrativas nas quais o leitor é deixado em um estado de perda de referências, já que a linguagem impressa no livro não se exibe com exatidão.

Serviço
Exposição “Narrativas em Processo: Livros de Artistas – Coleção Itaú Cultural”
Período expositivo: de 27 de março a 24 de junho de 2018

Sala 1

Dias e horários especiais
Toda quarta gratuita com programação especial: 10h às 18h
Primeira quinta do mês: horário estendido até 20h, gratuito após as 18h.
Programação especial todos os domingos

Artur Barrio 
Uma Extensão do Tempo, 1996 
Mista s/ cartão 21 x 22 x 4 cm.
Artur Barrio 
Uma Extensão do Tempo, 1996 
Mista s/ cartão 21 x 22 x 4 cm.
Artur Barrio 
Caderno Livro, 1997 
Mista sobre papel 22 x 22 X 8 cm.
Artur Barrio 
Caderno Livro, 1997 
Mista sobre papel 22 x 22 X 8 cm.
Augusto de Campos, Júlio Plaza 
Poemobiles, 1974 
21,3 x 16,4 x 5 cm (fechado) 20,5 x 22 x 11 cm (aberto).
Augusto de Campos, Júlio Plaza 
Poemobiles, 1974 
21,3 x 16,4 x 5 cm (fechado) 20,5 x 22 x 11 cm (aberto).
Waltercio Caldas 
Momento de Fronteira, 1999 
31,2 X 54 x 13 cm (aberto)  32,5 x 27,5 x 10,5 cm (fechado - caixa) 31,2 x 26 x 9,5 cm (fechado - livro)
Waltercio Caldas 
Momento de Fronteira, 1999 
31,2 X 54 x 13 cm (aberto) 32,5 x 27,5 x 10,5 cm (fechado - caixa) 31,2 x 26 x 9,5 cm (fechado - livro)
Mestre Nosa e Maria Eugenia Franco
Via Sacra, 1969 
Xilogravura PB impressa em papeis coloridos 22 x 24,5 X 4,3 cm (fechado) 21 x 23 cm (prancha)
Mestre Nosa e Maria Eugenia Franco
Via Sacra, 1969 
Xilogravura PB impressa em papeis coloridos 22 x 24,5 X 4,3 cm (fechado) 21 x 23 cm (prancha)
Augusto de Campos
Viva Vaia, 1972-2001
7 x 27 x 7,5  cm
Augusto de Campos
Viva Vaia, 1972-2001
7 x 27 x 7,5 cm