Obra

Arte Cibernética - Coleção Itaú Cultural

nº de obras: 9
local: olho

O Museu Oscar Niemeyer (MON) recebe, de 31 de março a 31 de maio, a exposição Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural, que representa o conceito de arte cibernética desta coleção - considerada uma das pioneiras na América Latina. Com organização do Núcleo de Inovação e Artes Visuais do instituto, ao todo, serão exibidas nove obras extraídas desta coleção iniciada em 1997. 

“A parceria entre o MON e o Itaú Cultural proporciona a Curitiba, reconhecida como cidade inovadora e criativa, a oportunidade ímpar de interagir com esta expressão artística contemporânea, resultante da desafiadora relação entre arte e novas mídias e tecnologias” declara Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON.

“Levar uma parte desta coleção a uma renomada instituição brasileira, como o MON, estreita ainda mais a relação de parceria que mantemos há alguns anos e reforça a nossa vocação de ampliar cada vez mais o acesso do público a todos os tipos de arte”, diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “A relação entre tecnologia, cultura e arte é um dos grandes objetos de interesse do instituto, e é um tema que procuramos colocar para incentivar o público a refletir sobre ele.”

No MON, o público interage obras de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat; de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau; do coletivo belga LAb au; de Edmond Couchot e Michel Bret;  de Raquel Kogan;  de Regina Silveira; de Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti; de Camille Utterback e Romy Achituv e de Miguel Chevalier.

“Arte e tecnologia é o termo usado para descrever a arte relacionada com tecnologias surgidas a partir da segunda metade do século XX”, define Marcos Cuzziol, gerente do núcleo de Inovação do instituto. “Já o conceito de arte cibernética exige a interação constante entre observador e obra, ou mesmo entre partes diferentes da própria obra, para que o trabalho aconteça. Ambos, observador e obra, são interatores”, completa.

Os visitantes vão experimentar sensações proporcionadas pelos trabalhos exibidos em uma relação de interação como, por exemplo, as cordas que vibram com frequências de luz e de som e variam de acordo com a posição relativa e o modo de interação do observador em OP_ERA: Sonic Dimension, das artistas Daniela Kutschat e Rejane Cantoni. Em Life Writer, de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, o espectador datilografa um texto nas teclas de uma antiga máquina de escrever e as letras se transformam em criaturas artificiais que parecem flutuar na tela do papel.

O trabalho do coletivo belga LAb[au], provoca uma interação mútua que se desenrola no campo vetorial em que partículas fluem conforme a evolução da densidade e resulta em comportamentos imprevisíveis das mesmas. Já a obra Les Pissenlits, de Edmond Couchot e Michel Bret, depende da força e duração do sopro do espectador para determinar os movimentos das sementes de um dente-de-leão, que realizam trajetórias complexas e diferentes. Esta obra teve uma primeira versão realizada pelos artistas em 1988, o que a tornou um clássico e influenciou artistas do mundo inteiro. A edição pertencente à coleção Itaú Cultural e em exibição é de 2006, desenvolvida em conformidade com a original.

Na obra de Raquel Kogan, o visitante regula a rapidez do movimento de centenas de números projetados sobre a parede de uma sala escura, refletidos sobre um espelho d’água rente ao chão. Criando um efeito inusitado, eles nunca se repetem e criam a sensação de subir de um espelho a outro. Percepção semelhante é experimentada em Descendo a Escada, de Regina Silveira, que utiliza a projeção sincronizada de três aparelhos sobre um espaço formado pelo chão e o ângulo de duas paredes gerando um continuum virtual dinâmico.

A interação se encontra, ainda, em Text Rain, de Camille Utterback e Romy Achituv. Nesta instalação, a projeção do corpo dos participantes em uma parede é animada com uma chuva de letras que, por sua vez, respondem a movimentos corporais. Como em um game, se um participante acumular letras o bastante sobre a projeção de seus braços estendidos ou da silhueta de qualquer outro objeto, poderá ver uma palavra inteira ou até mesmo uma frase sendo formada, com letras em queda aleatoriamente.

Os visitantes se surpreenderão também com o jardim virtual gigante Ultra-Nature, de Miguel Chevalier. Projetado em paredes de, em média, quatorze metros de comprimento, seis tipos diferentes de plantas digitais luminosas são influenciadas a crescerem por dois sensores de movimento. A vegetação deriva de flores amarelas brilhantes, com hastes turquesa, até cactos sombreados nas cores vermelho e violeta. Assim, o estímulo dos observadores faz com que as plantas se inclinem para os lados, criando cenas que vão da ornamentação barroca a um tipo de balé orgânico.

Finalmente, em Fala, da dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, o público se depara com uma máquina movida pela voz desenhada para estabelecer comunicação e sincronização automáticas entre humanos e máquinas, e entre máquinas e máquinas, movido por uma espécie de coro do microfone de 40 aparelhos celulares. O resultado é um efeito audiovisual com um significado semântico similar ao som captado, ou seja, o visitante fala e pequenas telas exibem uma palavra idêntica ou semelhante ao da palavra escutada, possibilitando algo como um diálogo.

Antes de chegar a Curitiba, por meio da parceria entre o MON e o Itaú Cultural, Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural passou por outras cinco capitais brasileiras – Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB) e Recife (PE).
 

SERVIÇO
Exposição Arte Cibernética – Coleção Itaú Cultural
Sala: Olho
Período expositivo: 31 de março a 31 de maio de 2015

MON – Museu Oscar Niemeyer
Terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: R$9 e R$4,50 (meia-entrada)

Domingo + Arte: entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês
Quinta + MON: primeira quinta-feira de cada mês, horário de funcionamento estendido, das 10h às 20 horas, com entrada gratuita a partir das 18h

Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba, PR
www.museuoscarniemeyer.org.br
Facebook e Twitter: /monmuseu

Fala | 2011 | 40 aparelhos celulares, 41 tripés, 02 caixas de som, 04 roteadores, 01 laptop, 01 microfone, dicionários digitais tecnologia de ativação e reconhecimento de voz e software | Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti | foto Leonardo Crescenti
Fala | 2011 | 40 aparelhos celulares, 41 tripés, 02 caixas de som, 04 roteadores, 01 laptop, 01 microfone, dicionários digitais tecnologia de ativação e reconhecimento de voz e software | Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti | foto Leonardo Crescenti
Reflexão 3 | 2005 | Instalação interativa | Raquel Kogan | foto divulgação
Reflexão 3 | 2005 | Instalação interativa | Raquel Kogan | foto divulgação
Ultra Nature | 2008 | Projeção interativa | Miguel Chevalier | foto Christina Rufatto
Ultra Nature | 2008 | Projeção interativa | Miguel Chevalier | foto Christina Rufatto
Descendo a Escada | 2002 | Regina Silveira | foto Cia de Foto
Descendo a Escada | 2002 | Regina Silveira | foto Cia de Foto
Les Pissenlits | 2006 | Edmond Couchot e Michel Bret | foto divulgação
Les Pissenlits | 2006 | Edmond Couchot e Michel Bret | foto divulgação
Life Writer | 2005 | Christa Sommerer e Laurent Mignonneau | foto Leo Caldas
Life Writer | 2005 | Christa Sommerer e Laurent Mignonneau | foto Leo Caldas
OP_ERA Sonic Dimension | 2005 | Rejane Cantoni e Daniela Kutschat | foto Leo Caldas
OP_ERA Sonic Dimension | 2005 | Rejane Cantoni e Daniela Kutschat | foto Leo Caldas
Pix Flow 2 | LAb[au] | 2007 | foto Leo Caldas
Pix Flow 2 | LAb[au] | 2007 | foto Leo Caldas
Camille Utterback e Romy Achituv | Text rain | 1999 | foto Leo Caldas
Camille Utterback e Romy Achituv | Text rain | 1999 | foto Leo Caldas