Entre as 175 obras em exposição estão trabalhos referenciais da arte brasileira pertencentes ao maior colecionador privado do País, Gilberto Chateaubriand. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Franz Manata, a exposição tem teor panorâmico.

Nela estão sendo apresentados os principais desdobramentos da produção artística brasileira, desde a segunda década do século passado até as propostas mais recentes. Constituída por núcleos históricos que respeitam a sucessão desses desdobramentos, embora não de modo estritamente cronológico.

O Modernismo e seus desdobramentos apresenta não somente as manifestações da arte brasileira comprometidas com a vontade de atualizar a produção nacional em relação ao modernismo europeu (as exposições de Anita Malfatti e de Lasar Segall, em 1917, a Semana de Arte Moderna, em 1922, por exemplo), quanto de seus desdobramentos (a questão nacional dos anos 20, a emergência dos regionalismos na década de 30 e o realismo social dos anos 40) até o fim da Segunda Grande Guerra e ao longo da década de 50.

Neste segmento estão obras de artistas como Anita Malfatti, Brecheret, Cândido Portinari, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Djanira, Flávio de Carvalho, Goeldi, Guignard, Ismael Nery, Lasar Segall, Pancetti, Tarsila do Amaral e Vicente do Rêgo Monteiro entre outros.

O núcleo Construtivismo e Abstracionismo mostra o surgimento e a consolidação das tendências não-figurativas no País, entre 1948 e 1962 com obras de Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Antônio Bandeira, Fayga Ostrower, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mary Vieira, Milton Dacosta, Samson Flexor entre outros.

 
 

 

A Imagem Contemporânea reúne dois momentos cronologicamente diversos da arte do final do século XX e que possuem em comum um foco figurativo: as produções das décadas de 60 e de 80. O desgaste do repertório eminentemente formal do Abstracionismo, na passagem das décadas de 50 para a de 60, determinou a retomada da imagem figurativa.

Baseada agora na fotografia, na publicidade e nas artes gráficas, essa nova imagem revogou definitivamente os modelos naturais da arte do passado. Aqui aparecem obras de artistas como Anna Maiolino, Anna Bella Geiger, Antônio Dias, Barrão, Beatriz Milhazes, Carlos Zilio, Cláudio Tozzi, Cristina Canale, Daniel Senise, Gerchman, Glauco Rodrigues, Leda Catunda, Luiz Zerbini, Maria do Carmo Secco, Nelson Leirner, Wanda Pimentel, Raimundo Collares e Carlos Vergara entre outros.

O Experimentalismo e seus Desdobramentos é a parte conclusiva da exposição. Ela recobre o experimentalismo dos anos 70 e de sua retomada, ainda que de modo singular, dos anos 90 até a atualidade. A ênfase na idéia, no conceito, feita por parte significativa da produção artística brasileira e internacional dos 70, assimilou, de modo explícito, a palavra à obra ou usou-a, nos títulos, como conceitos-chave para leitura da obra.

Da década de 90 em diante, o uso praticamente generalizado de suportes e meios não-convencionais da arte (novas mídias, instalações, performances) deriva de muitas das questões experimentais formuladas duas décadas antes. Fazem parte deste segmento obras de artistas como Anna Bella Geiger, Antônio Dias, Antônio Manuel, Artur Barrio, Carlos Zilio, Cildo Meireles, Edgar de Souza, Helio Oiticica, Jac Leirner, Jorge Barrão, José Damasceno, José Resende, Luiz Fonseca, Marcos Chaves, Miguel Rio Branco, Milton Machado, Rosângela Rennó, Tunga, Waltércio Caldas
e Vik Muniz entre outros.
 
 
 
 

A coleção

A coleção Gilberto Chateaubriand possui em torno de 7.000 obras. São peças produzidas desde as primeiras décadas do século passado até a atualidade. É uma das coleções mais importantes do País e um dos mais completos panoramas existentes sobre a arte moderna e contemporânea brasileiras, já que Gilberto Chateaubriand optou por montar um acervo abrangente, plural e representativo da arte brasileira.

As obras que integram a Coleção Gilberto Chateaubriand pertencem a um período histórico mais extenso do que os 52 anos de existência da mesma, contados a partir de 1954, quando o pintor José Pancetti deu para Chateaubriand a tela “Paisagem de Itapoá”. Segundo depoimento do próprio colecionador “a partir de então, comprar obras de arte tornou-se para mim uma segunda natureza – talvez a primeira. Sempre optei pela arte brasileira; gosto de conhecer o artista, ver seu atelier, descobrir novos talentos, ser surpreendido”.

Estas peculiaridades estreitaram o contato do colecionador com os artistas, e a busca por novos talentos e obras - especialmente aqueles iniciantes – fez com que a coleção tenha hoje obras que revelam a trajetória completa de muitos de nossos mais importantes nomes das artes visuais. É indiscutível a representatividade da coleção Gilberto Chateaubriand, considerada, sobretudo no meio especializado, como o melhor e mais completo panorama da arte brasileira, do modernismo aos nossos dias.

Cedida em comodato para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a partir de 1993, a coleção tornou-se acessível permanentemente ao público e vem sendo mostrada regularmente não só no MAM, como em outras instituições do Brasil e do Exterior.

 
 

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