A mostra Carlos Colombino – Resumo de uma Antologia exibe um seleto conjunto de 46 xilopinturas e três objetos do artista paraguaio que dá nome à exposição. Premiado em diversos países da Europa e América Latina, Carlos Colombino (Concepción, 1937) é considerado um dos mais importantes representantes da arte moderna no Paraguai. O artista também é fundador e diretor do Centro de Artes Visuais e do Museu do Barro, no Centro Cultural de Assunção.

A técnica da xilopintura é inédita. A xilopintura foi criada e batizada pelo próprio artista em 1962. Na produção de sua obra, Colombino utiliza-se da técnica de gravador, só que, em vez de usar a estampa sobre o papel, a utiliza sobre a madeira. Após esse processo, ele realiza a escavação e faz a pintura diretamente na madeira policromada. O resultado, apreciado na peça acabada, remete o apreciador a uma repleta de significados e conceitos.

Dividida em cinco núcleos cronológicos, passando pelas décadas de 60, 70, 80, 90 e 00, a exposição traça um panorama da produção do artista. Entre os períodos mais marcantes está a primeira fase, na qual Colombino reflete sobre a ditadura militar paraguaia. Apesar de realizar trabalhos desde os 18 anos de idade, como um autodidata, foi a partir de 1954, que a obra do paraguaio ganhou identidade própria. Após sucessivos golpes de estado, em 1954, o comandante do exército, general Alfredo Stroessner, derruba o presidente Federico Chávez e assume o poder, até ser deposto por um novo golpe militar em 1989.
 
Fases
Após participar, em 1961, da Bienal de São Paulo com trabalhos abstratos, o obtuso período de ditadura leva o artista a realizar uma produção focada no momento político que vivia seu país. A partir daí, surgem, em 1965, as primeiras obras relacionadas à repressão política no Paraguai. Colombino chama atenção para a primeira obra com esse enfoque, intitulada Juana, inspirada por uma enfermeira, assassinada por militares, que era ligada ao grupo guerrilheiro “14 de Maio”. “Essa é a fase que inicia o que está sendo exposto no Museu”, afirma Colombino, que também responde pela curadoria de sua exposição.

Durante toda a década de 60, a produção do artista volta-se para a crítica ao regime e a denúncia de torturas e assassinatos, além de realizar obras caricaturais de personagens políticos. Colombino destaca a obra El General – A Cuerda que, segundo ele, é a imagem do próprio ditador. Distanciado dos “horrores” da ditadura, na década de 70, o artista inicia uma nova fase.
“Passo a refletir sobre a própria linguagem da arte. Este é um momento intermediário, onde começo a observar a paisagem e o local onde vivo.” Ele traduz essa fase com o termo Aregua, palavra em guarani que quer dizer o tempo que foi. Anos mais tarde, esse enfoque, como os anteriores, também é superado. “Na última fase eu trabalho, de novo, a visão de cenografias mudas, isoladas, onde o homem desaparece, até chegar neste momento em que realizo uma reflexão sobre a política global.”

Autor de uma vasta e densa obra, Colombino tem trabalhos seus incluídos em significativos acervos de museus e galerias de Estados Unidos, Espanha, Itália, Argentina e Paraguai, entre outros. Fruto de uma obra calcada nos imprevisíveis caminhos da política e da arte.

A exposição também representa o estreitamento de laços culturais com os países integrantes do Mercosul. “Temos uma identidade cultural que nos aproxima e as nossas realidades e culturas precisam ser conhecidas”, diz Colombino.
 



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