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A latinidade, a memória e os reflexos políticos e particulares vivenciados durante o período ditatorial na Argentina são elementos sempre presentes nas obras de Carlos Alonso (1929, Mendoza). “Eu nasci no dia 29, exatamente um ano antes do primeiro golpe de estado, e senti a pressão, a descontinuidade e a necessidade de fazer reflexões – não só pictóricas, mas às vezes também militantes – sobre a temática do poder”, declarou o artista em 1989.
O tom intenso e dramático revelado em suas cenas, nas quais o vermelho da carne humana e bovina é recorrente, pode ser observado nas 45 obras exibidas nesta mostra, proveniente da Fundacion Alon para las Artes. Com curadoria do amigo e colecionador, o engenheiro Jacobo Fiterman, a exposição é inédita no Brasil e tem o patrocínio da SANEPAR, COMPAGAS e Agência de Fomento, com o apoio do Ministério da Cultura, Governo do Paraná e da Caixa. |
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Em exibição
Pinturas, desenhos, gravuras, serigrafia e colagens estão no conjunto selecionado para esta mostra em Curitiba, onde são apresentados trabalhos produzidos entre 1965 e 1984. Nestas obras, a carne é o eixo central da temática de Alonso. “A carne como metáfora. Metáfora da Argentina e metáfora rasgada do corpo humano reiteradamente manchado, perfurado, esfolado. A simbiose vaca-homem é signo, alfabeto de uma escritura que recria a trágica história nacional”, escreveu Alberto Giudici, responsável pela curadoria da mostra exibida na Espanha, no Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM).
Segundo o curador Jacobo Fiterman, a utilização da metáfora da carne na obra de Alonso foi retomada em 1974, que explica o enfoque desta exposição. “(...) Na capital italiana mantinha estreito contato com o Novo Realismo, artistas e críticos envolvidos em uma arte de crítica social e política, mas também de renovação dos procedimentos expressivos. Nesses anos, retoma o tema da carne e, em 1974, em Milão e Florença, apresenta pinturas, desenhos e gravuras onde aborda um retrato descarnado da oligarquia argentina, boiadeira, mercantil, uma análise de como se comporta, de que cara tem esse poder. (...) Para Carlos Alonso, a arte se transformou no lugar onde são fixadas as feridas que a realidade deixa sobre o mundo. Esta série é um testemunho de uma Argentina que estará sempre presente para que seus dramas e seus enganos não se repitam.”
Segundo o curador Jacobo Fiterman, a utilização da metáfora da carne na obra de Alonso foi retomada em 1974, que explica o enfoque desta exposição. “(...) Na capital italiana mantinha estreito contato com o Novo Realismo, artistas e críticos envolvidos em uma arte de crítica social e política, mas também de renovação dos procedimentos expressivos. Nesses anos, retoma o tema da carne e, em 1974, em Milão e Florença, apresenta pinturas, desenhos e gravuras onde aborda um retrato descarnado da oligarquia argentina, boiadeira, mercantil, uma análise de como se comporta, de que cara tem esse poder. (...) Para Carlos Alonso, a arte se transformou no lugar onde são fixadas as feridas que a realidade deixa sobre o mundo. Esta série é um testemunho de uma Argentina que estará sempre presente para que seus dramas e seus enganos não se repitam.”
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Trajetória
A partir da viagem por Madri, Barcelona e Paris, em 1954, Carlos Alonso imprimiu em sua produção a forte influência recebida de Toulouse-Lautrec e, especialmente, de Picasso; até compreender que era preciso encontrar um caminho próprio. “(...) Compreendo que devo me lançar à busca da iminha própria definição, do meu.” Hoje é apontado como um dos representantes mais consagrados e arraigados da tradição plástica argentina.
Com diversas premiações e exposições realizadas na Europa e América Latina, dois trabalhos merecem ser destacados: em 1957, ganhou o primeiro lugar do concurso para ilustrar a segunda parte do clássico de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, tendo sido a primeira parte ilustrada por Salvador Dali; e, em 1969, a exibição dos desenhos para a Divina Comédia, na Art Gallery International. |
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A exposição desses desenhos foi organizada como um labirinto, no qual se transitava pelo purgatório, pelo inferno e se chegava ao céu, um espaço sem imagens, só com música e a figura de Dante, voando. O trabalho também foi exibido em Roma e Milão, em 1971, quando o crítico Mario de Micheli escreveu para o catálogo de apresentação da mostra: “A linguagem de Alonso pode parecer de um exorbitante ecletismo (...). Mas seu selo não falta jamais, seu signo está sempre ativo para dar coerência e coesão e fazer a imagem rápida e cortante (...) eficaz a seu significado (...) a obra de Alonso com sua energia, com seu rechaço de toda neutralidade estética, que reconhecemos envolvido na mesma matéria de nossas preocupações.”
Em 1971, o artista argentino aderiu ao movimento chamado Novo Realismo italiano, sobre o qual o próprio Alonso declarou: “O Novo Realismo é uma arte politizada. Seu enunciado franco e direto apela em ocasiões a uma simultaneidade na qual se mesclam diferentes tempos e situações ao redor de uma idéia, de uma carga intencionada”. Desde o início dos anos 1970, Carlos Alonso reside alternadamente em Roma e Buenos Aires. |
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