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Burle Marx (1909, São Paulo – 1994, Rio) teve Portinari como mestre de pintura, logo depois de ter concluído a formação acadêmica em arquitetura. Burle Marx queria ser conhecido como pintor; tornou-se o mais importante paisagista brasileiro e um dos mais conceituados no mundo. Porém, em uma trajetória brilhante e construída ao longo de décadas, deixou também um valioso legado em pinturas, esculturas, tapeçarias e desenhos de jóias. Foi reconhecido no meio pela sua produção em artes visuais, mas ainda pouco conhecido pelo grande público. Embora o artista tenha obras suas em várias partes do mundo.
Com cerca de 100 trabalhos, a exposição tem o patrocínio da SANEPAR, COMPAGAS, UNIÃO VOPAK, AGÊNCIA DE FOMENTO e o apoio do Ministério da Cultura, Governo do Paraná e CAIXA. Para homenagear e marcar a passagem do centenário de nascimento de Burle Marx, o curador Antonio Carlos Abdalla criou um enfoque específico para a mostra em Curitiba: “apresentar uma amostragem de períodos destacados da obra integral do artista, utilizando como foco central o Burle Marx artista plástico”. “A mostra carioca e paulistana são retrospectivas. A exposição no Museu Oscar Niemeyer foi uma opção minha como curador, para uma mostra antológica. Vai haver obras do pintor, do desenhista, do gravador, do desenhista de jóias, do tapeceiro e do escultor.” |
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“A grande surpresa é a montagem da Paisagem Monumental”, reedição de uma pequena exposição comemorativa de 2008. Trata-se de uma montagem original fundamentada nos grandes cicloramas, que foram consagrados principalmente no século 19, como visões panorâmicas de locais e cidades destacadas, em especial o Rio de Janeiro. “A Paisagem Monumental é uma tentativa de junção do artista plástico com o paisagista. Será uma homenagem”, afirma o curador. Abdalla também incluiu um núcleo histórico, no qual apresentará uma “rápida amostragem de técnicas e períodos de sua obra plástica”.
Os trabalhos desta mostra são provenientes, especialmente, da Burle Marx Cia. Ltda. e do Sítio Burle Marx, ambas do Rio do Janeiro e herdeiras designadas pelo artista. “É emocionante ir ao Sítio, onde Burle Marx morou por muitos anos. Agora é uma instituição administrada pelo IPHAN, órgão que cuida da conservação de bens culturais, do Governo Federal. Possui um rico acervo de obras de arte além, é claro, do paisagismo em si, criado pelo artista e mantido com o mesmo desenho planejado por ele”, conta o curador sobre a escolha das obras que integrariam a seleção em exibição. O sítio, localizado em Guaratiba, fica a cerca de 30 quilômetros do centro do Rio.
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Pintura e Paisagismo Abdalla analisa que a pintura de Burle Marx se insere em um “certo modernismo”, revelado a partir da década de 1920 no Brasil. “Mas, o artista flertou muito de perto com o Abstracionismo Geométrico”, movimento amplamente difundido no mundo artístico internacional, principalmente a partir da década de 1950. De acordo com o curador, após esse período de geometrização e subtração da figura realista, Burle Marx enveredou por um caminho muito pessoal, criando uma obra original, facilmente identificável.
“Creio que agora o artista está sendo reconhecido e valorizado, muito mais do que há décadas atrás, quando sua atividade como paisagista ‘escondeu’ uma obra interessantíssima e importante para o cenário artístico brasileiro. Burle Marx é responsável por um verdadeiro ‘projeto pessoal’, planejado e realizado ao longo de décadas. É uma personalidade multifacetada. Há muito ainda a ser descoberto em seu trabalho.”
Abdalla diz que “é incrível como ele aliava com sucesso” a estética, a ecologia, com o paisagismo de suas obras. Ele lembra a casa de Burle Marx, no Sítio de Guaratiba, que foi construída a partir de um projeto de Lúcio Costa. “A relação de Marx com Costa e Niemeyer levou a todo o seu envolvimento com o projeto para a construção de Brasília. Trabalhou com Niemeyer em vários projetos, concluídos ou não. Burle Marx criou uma estética da paisagem com características muito locais, com exuberância tropical e brasileira! É uma referência para todo mundo, admirado e inspirador de novos trabalhos. Um patrimônio do mundo.”
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