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A
exposição “Wotan”, que na mitologia
nórdica é o deus criador dos deuses terrenos,
apresenta cerca de 50 obras do artista plástico gaúcho
Luiz Carlos Brugnera (RS-1966), radicado em Cascavel. Algumas
obras refletem o imaginário da mitologia escandinava
e o restante faz parte de uma adaptação temática
de trabalhos anteriores. O público poderá fazer
a visitação entre 15 de novembro e 04 de março.
As obras, várias delas bidimensionais
e tridimensionais, pertencem a duas séries. A primeira
fase bidimencional inclui desenhos em grafite sobre mdf
e a fase tridimensional apresenta trabalhos em metal. A
exposição apresenta obras de paredes, instalações,
esculturas e objetos. Brugnera destaca a obra chamada de
“Moto número 1-Ragnarök”, que “representa
o fim da construção atual do mundo e o reinício
da reconstrução do mesmo, revigorando as formas
e conceitos já existentes”.
A moto relata a batalha primordial que
ocorre na planície imaginária de Wigred .
“Ragnarök” é conhecido, segundo
a mitologia, como o destruidor. Um ser liberto que traz
com ele os males e os desastres para o mundo. Esse personagem
mitológico também é chamado de “Midgard”,
o responsável pela destruição total
do mundo construído. Ligado a ele está o lobo
“Bragui”, representando o deus da recriação
e da reconstrução do mundo. É “Bragui”
quem mata “Midgard” e dá início
ao evento primordial, que recebe o nome de “Ginnugagap”,
a cerne criadora de tudo.
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“Essa
é a primeira moto de uma série de 180 que pretendo
executar. Em cada uma delas farei a referência a um
deus ou evento. Por isso utilizo a personificação
de “Wotan”, já que na mitologia nórdica
não existia o hábito de representar seus deuses
graficamente, apenas por descrição literária
(...). Pretendo eliminar o imaginário infantilizado
dos deuses que foi criado para trazer à realidade as
imagens verdadeiras e definitivas.” Brugnera explica
que muitos desses deuses da mitologia nórdica, como
“Thor” –que, segundo ele, na realidade é
“Donar”, foram geralmente ilustrados, do cinema
à literatura, de uma “forma muito infantil, enfraquecida
e pobre”.
Outra obra de destaque para o artista é a instalação
“Almas”, composta por 17 desenhos, nos quais ele
utiliza a técnica do grafite sobre o mdf . “A
instalação se refere a escuridão de um
universo sem fim, onde a luz não consegue penetrar.
Os trabalhos “Almas”, constituídos por
uma massa sufocante que aniquila a luz do entorno, remete
à espiritualidade”, explica a crítica
de arte Nilza Procopiak. |
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Na
série metal, Brugnera apresenta instalações,
uma bidimensional e outra tridimensional. As
instalações “Varais Micro”
e “Varais Macro” são compostas
por esculturas e remetem a fusos de tecelagem
que evocam memórias domésticas.
“Os varais são ícones, vindos
de minha mãe costureira.”
A curadoria da mostra é assinada pelo
próprio artista, que contou com a consultoria
de Fernando Cocchiarale, curador do Museu de
Arte Moderna do Rio, e Laura Buccellato, diretora
e curadora do Museu de Arte Moderna de Buenos
Aires.
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