Localizado
no Centro Cívico de Curitiba, cuja capital abrange
cerca de 2 milhões de habitantes, o Museu Oscar
Niemeyer tem como principal missão o de ser um
espaço expositivo de excelência e referência
no Brasil e no exterior. Com 17.744,64 mil metros quadrados
de área expositiva potencial, o Museu está
instalado em um complexo de 144 mil metros quadrados
de área.
Tendo ao fundo a massa verde do Bosque do Papa, o Museu,
com mais de 35 mil metros quadrados de área construída,
é uma obra de arte em si mesmo. Niemeyer utiliza
no prédio a tecnologia do concreto protendido,
que permite a criação de grandes vãos
livres entre as colunas e a construção
de grandes balanços.
Nesta obra, mais uma vez, o traço sinuoso de
Niemeyer aplicado ao concreto ganha a leveza de linhas
finas. Na simplificação de sua complexa
arquitetura, o maior mestre da Arquitetura Moderna,
ainda vivo, consegue, através de suas obras,
mostrar toda a alma do povo brasileiro. Com liberdade
formal e arrojo estrutural, ele explora ao máximo
as possibilidades formais do concreto.
Um exemplo de como a arte expressa na arquitetura fez
com que espaços construídos em épocas
distintas pudessem conviver em perfeita harmonia e comunhão.
Rampas em curvas, na área externa, e um túnel
-acessado pelo subsolo do edifício principal-
faz o elo entre o passado e o presente, o Moderno e
o Contemporâneo. São as características
que tornam Niemeyer o escultor dos espaços urbanos
livres, elevando-o à condição de
artista.

Um olhar
de concreto e vidro
Instalado à frente do edifício principal
e internamente ligado a ele por um túnel, o anexo
de 30 metros de altura –do chão ao vértice
da construção– imprimiu nova identidade
ao complexo. Projetado em 2001 e construído em
2002, numa linguagem contemporânea, o anexo, reconhecido
hoje pela denominação de Olho, é
um dos exemplos das obras-primas desenhadas pelo arquiteto
brasileiro.
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói
(RJ) é outra de suas obras de arte arquitetônicas.
Nas duas edificações, ele faz com que
a base sirva de pedestal para uma escultura de concreto,
a qual pesando toneladas parece levitar.
O resultado é lúdico. O grande Olho de
concreto e vidro, ao mesmo tempo em que debruça
seu olhar de dupla face para a cidade também
observa a si mesmo, refletindo o passado. Um olhar que
parece flutuar à frente do prédio que
deu origem ao Museu.
Quatro pavimentos compõem o edifício do
Olho, que pousa sobre uma base quadrangular. No salão
principal, localizado na parte convexa da estrutura,
são destinados cerca de 1,6 mil metros quadrados
a exposições, cujo ponto mais alto atinge
um pé-direito de 12 metros.
Em seu oposto, na parte côncava, há uma
área de apoio e infra-estrutura para bar e coquetéis.
A área não é utilizada para esse
fim por ser vetado o consumo de alimentos e bebidas
em áreas expositivas.
Em dezembro de 2004, para ampliar o potencial expositivo
do prédio, a presidente do Museu, Maristela Requião,
inaugurou três novas salas expositivas. Elas são
destinadas exclusivamente para a exposição
de fotografias e hoje compõem a Torre da Fotografia.
As novas salas estão localizadas nos três
pavimentos (térreo, 1o e 2º pavimentos)
da base do anexo. As cerâmicas que revestem a
base, que sustentam o Olho, foram especialmente pintadas
com desenhos criados pelo próprio Niemeyer. No
exterior, os 316 metros de rampas fazem a ligação
entre passado e presente.

De símbolo da máquina
estatal a espaço de arte
O arquiteto Oscar Niemeyer projetou, em 1967, o que
hoje é o edifício principal do Museu.
Em 1978, o prédio chamado de Edifício
Presidente Humberto Castelo Branco, foi inaugurado.
Integrado ao complexo do Centro Cívico, com projeto
paisagístico de Burle Marx, parcialmente executado,
o projeto original previa a instalação
do Instituto de Educação do Paraná.
Por razões políticas, ao ser concluído,
o prédio foi ocupado pela administração
estadual. Ao observar os estudos preliminares do arquiteto
para o então Instituto de Educação,
já se encontrará nele uma estrutura semelhante
ao anexo, em menor escala, mais deslocado para a direita
do prédio.
Em 2001, 23 anos depois de ser inaugurado, autoridades
do Estado decidiram transformar a generosa área
em um museu. O edifício foi adaptado e transformado,
sendo projetadas reformas e ajustes estruturais, com
renovação das redes hidráulica,
elétrica e de informática, entre outras.
Com isto, as divisórias da antiga sede administrativa
cederam espaço aos amplos corredores, com cerca
de 60 metros de comprimento, originalmente existentes.
Hoje, esses corredores constituem as três salas
expositivas centrais no primeiro piso do prédio
principal do Museu.
Com parte das adaptações realizadas, nasceu
a base do Museu, complementado pelo Olho. Tanto a reforma
do prédio antigo, como a construção
do anexo obedeceram à "mesma audácia
estrutural que distinguia a construção
inicial", segundo registro do próprio Niemeyer.
A
edificação
Distribuído por três pisos –subsolo,
térreo e primeiro pavimento-, o edifício,
de estilo moderno, é totalmente estruturado a
partir de linhas retas. A estrutura do prédio
é de concreto protendido, que permite vencer
os grandes vãos da edificação com
um enorme arrojo estrutural para a época em que
foi projetado.
O prédio apresenta um bloco elevado sustentado
por vigas de concreto, que servem de apoio à
laje do térreo e ao primeiro piso, onde ocorre
a maioria das exposições. Dos 26.230,90
mil metros quadrados de área construída,
o prédio principal tem reservado a exposições
nada menos do que 16.644,00 mil metros quadrados.
Além das salas expositivas, a estrutura também
dispõe de um auditório, com capacidade
para 372 pessoas sentadas, uma loja com produtos personalizados
do Museu e um ambiente para café, em execução.
O complexo conta ainda com 316 vagas nos dois estacionamentos
térreos, um frontal –acessado pela Rua
Marechal Hermes- e outro localizado na parte de trás
–com acesso pela Rua Manoel Eufrásio.
Térreo
O piso térreo possui uma permeabilidade visual
e volumétrica na qual Niemeyer utilizou princípios
da escola modernista. Com os pilotis, o arquiteto conseguiu
dar leveza visual ao prédio com extrema elegância.
Nesse piso, se encontram dois volumes envidraçados,
localizados nas extremidades. Na extremidade Norte,
está a bilheteria, a loja e as futuras instalações
do café. Na parte Sul, localiza-se a entrada
do Museu e o espaço para a montagem de um restaurante,
freqüentemente utilizado para recepções
em vernissages e eventos.
Primeiro Piso
Com nove salas expositivas, o primeiro piso abriga a
maioria das exposições. O ambiente pode
ser acessado por meio de escadas, rampas e elevador,
facilitando o trânsito de portadores de deficiências.
As nove salas possuem em toda a sua extensão
uma área de luz, utilizada com bastante flexibilidade.
Em algumas exposições já serviram
como jardins internos temporários, como espaços
cenográficos e até como espaço
expositivo.
Subsolo
De características semelhantes às obras
assinadas por Niemeyer em Brasília, o subsolo
se constitui em outro importante espaço expositivo.
Neste nível se encontra a exposição
permanente de projetos, fotos e maquetes de obras do
arquiteto, batizado de Espaço Niemeyer.
Também é onde estão instaladas
as salas administrativas, o Espaço da Ação
Educativa, onde são realizados cursos e oficinas,
e o Pátio das Esculturas. O Pátio abriga
a exposição permanente de algumas obras
que pertencem ao acervo do Museu. As obras são
assinadas por Amélia Toledo, Ângelo Venosa,
Bruno Giorgi, Emanoel Araújo, Erbo Stenzel, Marcos
Coelho Benjamin, Sérvulo Esmeraldo e Tomie Ohtake.
A Reserva Técnica se encontra no mesmo nível.
O setor é equipado com móveis especiais
para a adequada acomodação da coleção
do acervo como trainéis, mapotecas e estantes
deslizantes. O setor foi montado em 2004.
Nessa área técnica, está sendo
instalado o Laboratório de Conservação
e Restauro. O laboratório também está
sendo estruturado com equipamentos adequados para serem
manipulados por mão-de-obra especializada no
restauro de obras de arte.
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